por Matheus Adami*
Entra ano, sai ano e o tempo na Gávea parece que não passou… as lembranças do passado ecoam nos corredores rubro-negros, resquícios de um tempo em que o futebol era mais romântico e passional do que cheio do profissionalismo cada vez mais presente hoje em figuras como Rodrigo Caetano e seus pares.
Falar de prognósticos rubro-negrísticos no começo de uma temporada em que a principal estrela da companhia, Ronaldinho Gaúcho, tem futuro a cada dia mais indefinido, o principal escudeiro do craque, Thiago Neves, mudou de casa na Zona Sul, e o principal defensor, Alex Silva, resolveu se rebelar, é dar um tiro no escuro. Mas, a pedido dos nobre amigos do Yougol, assumirei a identidade de Pai Adami de Ogum e farei minhas previsões.
O ano será difícil, amigo flamenguista. Difícil porque as nuvens negras que agora pairam sobre a Gávea vão tender a aumentar. Explico o porquê de tão pouco otimismo. Os rivais locais melhoraram. Contrataram bem e, como nos mostra a tabela do último Campeonato Brasileiro, vascaínos e tricolores terminaram à nossa frente com méritos. Até o Botafogo, que não assustou ano passado, acertou em cheio em trazer Andrezinho, cria dos bravos rincões da Gávea. Enquanto isso, o torcedor rubro-negro, sempre apaixonado e abnegado, vê Magal e Itamar. Só aí, digo que o começo do ano supera em tragédias 2011, quando R10 e TN7 se juntaram à Nação.
Mas, se os problemas fossem só dentro das quatro linhas, estaria ótimo. Longe daquela paz de céu de brigadeiro, é claro, mas sem tempestades nem trovoadas. A crise entre Flamengo e Traffic minou a vontade de Ronaldinho em jogar. É claro. Eu também não estaria feliz se o mês da empresa em que eu trabalho durasse 150 em vez de 30 dias. Você também. E, como em todos os anos, falta dinheiro e credibilidade para contratações. Somado a isso, teremos Patrícia Amorim em ano de campanha eleitoral. A total falta de noção da presidente (o discurso pedante de que “Flamengo é Flamengo”, embora é verdadeiro, não faz brotar dinheiro, certo?) no momento de crise, somada à ingerência demonstrada, tirou a confiança do torcedor. A ponto de o clube, em termos de bagunça, ser chamado de Palmeiras do Rio – com todo respeito aos palmeirenses, mas isso é inadmissível.
Dito isto, vamos às vacas frias. Com as atenções voltadas para a Libertadores, o Campeonato Carioca será corretamente deixado de lado. Previsão deste escriba: brita inevitável nas duas competições. Na Libertadores, infelizmente, por falta de elenco. E o Carioca… bom, já perdeu a graça para nós há muito tempo.
Fica a torcida sincera para que a diretoria abra os olhos, arregace as mangas e, principalmente, desca do salto para conseguir bons jogadores para o segundo semestre. O Campeonato Brasileiro está aí. Torcedor flamenguista é bem acostumado a gritar “é campeão” pelo menos uma vez ao ano. Se o time passar 2012 em branco, a chance de a profecia maia ocorrer na Gávea, especificamente, é real.
*Matheus é jornalista, carioca, mas paulista há um bom tempo.