25/11/2009

Perez Pereyra, um botafoguense

por Eduardo Zobaran

de PUERTO QUIJARRO, Bolívia

 

Perez Pereyra é o típico sujeito boa praça, mas para ser franco minha primeira impressão do camarada era que tava tentando dar um golpe pra cima de mim. E, você sabe, pra cima de mim não, cumpadi!

O conheci cerca de uma hora antes de embarcar no Trem da Morte. Sim, o tradicional trem que parte de Puerto Quijarro – cidade boliviana distante quinze minutos de Corumbá, no Brasil – e vai até Santa Cruz de la Sierra, a cidade dos negócios na Bolívia, dos que querem autonomia e, também, dos que não querem ver o Evo Morales nem fantasiado de operador de bolsa de valores. Mas, voltando ao assunto original, conheci Perez ali, meio que tentando matar um tempo com meu mais novo casal de amigos, ele, um turismólogo recém-formado nascido no interior do Paraná, São Paulo ou Mato Grosso do Sul (essa é a famosa precisão jornalística), e ela, alguma coisa que eu não lembro e neozelandesa. Por sinal, belo casal e ótima companhia.

"Fronteira" tudo bem, agora "controle" é sacanagem

"Fronterizo" tudo bem, agora "control" eu não vi não

O horário era mais ou menos nove e meia da manhã. Havíamos atravessado a fronteira há pouco, onde nos conhecemos, e de lá rachamos um táxi. Compramos as passagens do trem, que sairia dentro de quatro horas e trocamos alguns reales por bolivianos, o faz-me-rir local. Depois, muito tempo a gastar. Cerveza, então pensei e a ideia logo foi acatada pelo amigo brasileiro. O detalhe da hora, no entanto, não ajudava. Ainda que estivesse uns 36 graus da porra, numa secura da disgrama e uma poeirada do carajo, que subia a cada carro que atravessava a rua de terra, ninguém ali parecia estar num barzinho tomando uma juco de cevadis. Na verdade, não tinha nenhum estabelecimento com carinha de boteco nas redondezas. Foi então que surgiu a figuraça citada logo no primeiro parágrafo desse texto, o lendário Perez Pereyra.

E, antes que você se questione, vos digo. Sim, ele é boliviano e, sim, ao perguntar seu nome ele resolver dizer o nome completo. No início achei que era uma coisa pessoal, afinal, a combinação de nomes é de dar inveja para qualquer dupla sertaneja – que, por sinal, fazem muito sucesso em Santa Cruz. Mais tarde, no entanto, perceberia que essa é uma característica de bolivianos lá nos seus quarenta e tantos anos. Dizem o nome e o sobrenome e humildemente se fazem mais respeitados por isso. Gostei pra valer disso.

Pois Perez logo percebeu que buscávamos algo e, solícito, veio ao nosso encontro nos ofertar mercadorias, produtos e serviços de qualquer estabelecimento existente na região. Estaria o moço sendo simpático conosco ou teria ele farejado carne fresca com dinheiro valorizado (R$ 1 = B$ 3,70) marcando bobeira no pedaço. A primeira reação de um carioca, é claro, imaginar que o cidadão está prestes a dar uma banda de frente e, se der mole, quebrar quatro dentes e cinco costelas. Mesmo assim, do alto da petulância daqueles que tem uma moeda mais forte, emendei: “Amigo, una cerveza…helada…donde se compra acá?”

Menos de R$ 3

Perez apontou para o relógio e sorriu. Sim, ainda estava temprano, mas a viagem seria longa – mais tarde descobriríamos, 20 horas – e o melhor remédio, depois de Dramin, é uma cerveja gelada para te deixar legal e dormente como um cachorro vira-lata de cidade quente do interior. Além disso, com tanto tempo para gastar e pouco o que conhecer, ampliar meus conhecimentos etílicos-bolivarianos parecia ser o melhor a fazer.

“Amigo…Paceña, Pico de Plata”, disse Perez, apontando para o frigorífico de um mercadinho que parecia resfriar carnes, mas na verdade guardava quantidades respeitáveis da melhor amiga do homem, a cerveja. Assim fui apresentado para aquela que seria a minha companheira de viagem, a Paceña Pico de Plata. Na Bolívia, ainda a trairia com outras engarrafadas pela mesma companhia cervejeira, como a Pico de Oro e a Huari (a melhor), e também a Autêntica e a Potosí, só para as mencionar as não foram borradas pela fraca memória jornalística.

Perez sacou três botellas, colocou em nossas mão, nos mostrou que para abrir basta girar a tampinha e abriu um sorriso bonachão. Nos disse também quanto pagar e, por isso, imaginamos na hora que tratava-se de uma compra superfaturada. Quebramos a cara quando, mais tarde, fomos comprar a mesma cerveja e pagamos um boliviano a mais.

“Muy buena”, sentenciei, com um leve sotaque de morro carioca. Aquele silêncio constrangedor que se sobrepôs ao superficial comentário deveria ser interrompido e não pensei duas vezes, lancei a clássica pergunta. “Entonces, qual és su equipo?”, mandei, antes de explicar que me referia ao querido fútbol. A resposta, no entanto, não chegou, mas sim uma pergunta. “Aqui ou no Brasil?”, indagou surpreendentemente. “Tu…tu…tu tienes uma equipo en Brasil?”, retruquei e fui prontamente respondido com uma ingrata palavra: “Corinthians”. Mas lá na Bolívia, completou, torce para o Bolívar, o mais popular do país.

Torcedor do Palmeiras flagrado de dentro do Trem da Morte, que nem é tão da morte assim

Torcedor do Palmeiras flagrado de dentro do Trem da Morte, que nem é tão da morte assim

Puembas, como assim o cara é Corinthians? “Yo soy Botafogo…Bo…ta…fuego…Conoces?” Claro, me respondeu. “Negro y blanco, como Ponte Preta”. Meu deus do céu. Agora o cara tá gastando com a minha cara. Deve ser um desses malandros do Impedimento que moram nesses países aí que só o Eduardo Galeano se amarra, pensei. “No, no…sí, sí, es negro y blanco, mas rajado así, así (gesticulosamente mostrando as faixas verticais). Ponte Preta es equipo chiquitita. Botafogo… muy grande, gigante (leia-se, rigante), de Garrincha, más grande de todos, mejor que Pelé y Maradona”, expliquei.

Minha moral estava lá com os vira-latas após tanta humilhação. Estávamos sendo comparados à Ponte, que, com todo o respeito que reservo à Macaca, é o time que nunca ganhou um título. Mas eis que o homem desanda a falar. Sim, ele conhecia muito bem o Botafogo, é claro. Sobre o Garrincha… descreveu perfeitamente a curvatura das pernas do Mané e ainda me disse que se eu continuasse bebendo tão cedo acabaria como o famoso jogador. Nunca um puxão de orelha para minhas recaídas etílicas foi tão bem recebido. Nunca havia sido comparado com Garrincha. Que honra!

Papo vai, papo vem, lembro da minha camisa no mochilão, que estrategicamente foi posicionada próximo ao zíper lateral da guerreira para que eu pudesse pegar a indumentária em um momento de emergência, exatamente como aquele. “Mira…Botafogo”, apresentei. Perez não parecia menos feliz. Nesse momento sua alegria era tamanha que eu já começava a me procupar. Será que ele achava que trata-se de um regalo? De um presente? Tratei de pegar a camisa de volta, mas não sem antes lhe pedir uma foto.

Perez nem pestanejou, ao invés de posar com a camisa na mão, vestiu a camisa do seu mais novo time no Brasil.

Perez Pereyra dá uma alargada gratuita na minha camisa

Perez Pereyra dá uma alargada gratuita na minha camisa

24/11/2009

Em aberto: os Trapalhões 2009

por Raphael Zarko

A música Teresinha, de Chico Buarque, de certa forma parece com esse Campeonato Brasileiro de 2009. Se acha que estou exagerando, há de concordar que a sátira irrepreensível de Didi, Zacarias e Mussum lembra e muito a busca pela desejada taça pelos candidatos mais trapalhões dessa entediante Primeira Divisão de 2009. Vejamos…

Qual seria o time descrito assim por Chico: “o primeiro me chegou como quem vem do florista / trouxe um bicho de pelúcia”? Não adivinhou? Mais um pouco: “Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha / Mas não me negava nada”.

Flores, bicinho de pelúcia, viagens para Tóquio, não nega nada, vale tudo… Salve o Tricolor Paulista!

Assustada com essa pouca vergonha bambiesca, a taça disse não.

E aquele time famoso por jogadores boêmios: “chegou como quem chega do bar”. Se não bastasse, seus torcedores também carregam uma fama …huuum… injusta? Prossiga Chico: “Vasculhou minha gaveta / me chamava de perdida”.

E quando tudo estava a seu favor …(“encontrou tão desarmada que arranhou meu coração”) … vacilou e parece também ter ficado para trás.

Zé Roberto cai e pede falta...

Desamparado, segue o troféu de campeão brasileiro de 2009 lá, jogado em maus lençóis, tal qual Didi na paródia de Chico Buarque.

Quem chegará “do nada”, sem perguntar, se instalando feito um posseiro?

O Inter, uma espécie de florista do Sul? O Palmeiras, de Muricy Ramalho?

Ou há chances para um azarão mineiro, sorrateiro?

Agora sou eu mesmo que repito o que todos dizem:  não sei, “o campeonato está em aberto”.

23/11/2009

O campeão voltou

por Eduardo Zobaran

Acenei quando os torcedores do São Paulo gritaram que o campeão voltara. Certamente estavam ressentidos com a ausência de textos assinados por esses que vos escreve, o Campeão, que com o dedo médio da fraturada mão direita aponta delicadamente o caminho do céu para os supracitados torcedores.

Nada contra os visitantens, diga-se de passagem. É apenas uma praxe do futebol que um fervoroso amante do esporte bretão – que recentemente teve o prazer de ver praticado em versões bolivarianas – não poderia deixar de lado tratando-se de hóspedes tão, tão, tão… bambinos. Mas para mostrar que trata-se apenas de um ódio de verão, poucas horas depois já estávamos (figurativamente) abraçados torcendo pelo tropeço rubro-negro.

Mas antes de falar do empate sem gols da torcida que de tão grande já não se contenta com mosaicuzinho, e agora inovou com um – obviamente ilegível – mosaicuzão, falemos da partida do São Paulo contra aquele clube que eu afirmei ter destino certo no ponto-corrido mais valorizado do mundo. A partida corria bem, eu com um calor dos infernos, suando pra daná e com o treco do gesso já claramente fedido, até que o Maicosuel Jóbsuel fez um gol top top pega no meu golaço.

Mordendo a estrela, em homenagem ao hóspedes (foto GE.com)

Tava na cara que o empate viria de um forma perversa, pensei.

Isso, evidentemente, aconteceu aos 50 minutos numa característica vacilada da zaga alvinegra. Sim, eu disse 50 minutos e vou reclamar só para manter a fama de chororô que me cabe. Não adianta nem falar que teve alguma razão de ser os tais minutos. Além da bebidinha de água para os sujeitinhos que estavam jogando – o que demorou, sei lá, uns dois minutos – nada de anormal aconteceu para outros três minutos. E, como todo mundo sabe, isso implica num minutos a mais se for no primeiro tempo ou três minutos a mais se for no segundo tempo. Leia-se, meteram a faca no Botafogo.

Dito isto, os purpurinados hóspedes começaram a bailar, cantar e otras cositas que eu – ainda bem – não presenciei pois estava na Upper West do Engenhones. Verdade seja dita, os referidos estavam em um bom número, mas o fuzuê bambino ficava só ali entre eles, pois a rapeize alvinegra estava presente e, ainda que sedada pela lua que batia exatamente onde estava a maioria, tinha forças para abafar os urros dos visitantes.

De volta ao jogo, já imaginei que diante da sólida zaga do Botafogo, Juninho e Wellington, o suspiro de alegria dos sãopaulinos seria ainda mais prolongado. E – como sempre (ui!) – obviamente eu estava certo. Jorge Wagner, o irmão do Jorge Henrique, marcou a porcaria do gol que me deixou assim meio que com vontade de apontar muito mais do que um dedo para os hóspedes (uma pisto-uzi ou winchester e não isso que você pensou), que estavam turbinados com a secada invertida da torcida do mosaicuzão.

Mas não contavam com Jóbson, o filho do trabalho. Ele aplicou algumas das memoráveis firuletes objetivas de Maicosuel e ainda lembrou o saudoso – que, me disseram, está pra meter o pé para o Arsenal – ao despediçar uns gols feitos. Pouco depois da virada bambina, pelo menos, desconstruiu as regras do jogo e em uma ousada jogada tô dentro-tô fora, encontrou Renato – que não é o Renato Maconha, mas que não me engana – livre para marcar, voar e empatar. Pouco depois, Ricky, o sãopaulino, foi expulso.

Já é, pensei.

Pressão, pressão e pressão depois, a única notícia que tive era que o Flu já estava metendo uns dois no já avascainado Sport e que a maldita da sorte, mais uma vez, estava olhando para qualquer um, menos para nós. Estava pensando isso até que o Juninho me dá a certeza. O infeliz é expulso e me obriga a desejar-lhe o pior – ou seja, uma passagem só de ida para Sampa-ô-meu no ônibus com os torcedores do time viajante.

Mas, como alguém que for muito original escreverá, existem coisas que só acontecem com o Botafogo. O gênio Jôbi-Jobá deixou um selecionável dançando cumbia na área, fuzilou a rede de Rogério, o intocável, me deixou meio que sem reação e, ainda por cima, foi expulso por ficar de seios de fora diante da plateia. Pelo pudor com tal atitude percebi imediatamente que o árbitro era apenas desonesto, não tratava-se de um torcedor do time rival.

Torcedores esses que agora gritam como nunca (ui!): o Campeão voltou!

Sim, voltei!

23/11/2009

Não fez a menor diferença

por Raphael Zarko

O Flamengo decepcionou até um rival que nem eu. Mesmo com tudo ao seu bel prazer – desde o horário do jogo até o foguinho de última hora, tudo combinava com o inacreditável maior mosaico do mundo (por sinal, se eram 92 mil peças e tinham 83 mil presentes, o que fizeram com os 9 mil que sobraram? Olha a maldade na resposta ao amigo vascaíno…). Mas, para mim, o mais impressionante foi também que a frase estava correta. Pena que não estava certo o que ela dizia. Afinal, a torcida não fez diferença, porque não faz, apesar de ser bonito e romântico achar isso.

Horas antes do jogo, a torcida rubro-negra já ensaiava o mosaico. Foto: arredores do Maracanã

Depois do jogo contra o Barueri, achei que já era para eles, mas o Campeonato mais verde-amarelão dos últimos tempos sempre dá uma segunda chance. Infelizmente, ainda acho que vai dar Flamengo. A irregularidade urubu é controlada. O flamenguista que a essa hora me xinga vai lembrar que nos últimos anos quando decepcionavam, não era empate, mas sim derrotas sem dó nem piedade. Esse ano, as bobeiras dentro de casa foram poucas e foram empates.

Vou secar até dizer chega. A ponto – quem sabe (que felicidade seria…) – de nem ir para a Libertadores, mas sei que vou me dar mal. Um torneiozinho mais ou menos desse está com a cara deles…

Lá embaixo…

Não quero que o Fluminense escape e é por um único motivo: conseguirá uma proeza (quase) igual à do Vasco naquela virada épica contra o Palmeiras na final do Mercosul. Meus amigos tricolores que me perdoem, mas eu tenho meus motivos.

19/11/2009

A milésima pergunta e o humor de Andrada

por Raphael Zarko

O ex-goleiro Andrada acabou de quase dar uma entrevista ao SporTV. Digo quase, por que após a primeira pergunta de Luiz Carlos Júnior, ele esboçou umas palavras e parou de falar. O apresentador do Tá na Área emendou outra pergunta e tentou manter contato de novo com o argentino, de pedra, robusto como o sistema elétrico brasileiro, mas ele se calou. Só deu para ver os lábios dele se mexendo, mas a entrevista acabou aí. Andrada nitidamente sem saco para falar, exatamente como deu para perceber que era quando veio ao Brasil.

Na ocasião, havia feito contato com ele – que não falava com ninguém no Brasil há pelo menos três anos – por telefone. A partir daí, ele acabou sendo convidado pelo Vasco para receber uma homenagem pelo título de 1974 e o resto vocês relembram aqui e aqui. Esse mini texto é só para relaxar o meu dia e colocar essa foto: do maior jogador com a camisa mais bonita.

(Enquanto escrevo retomaram o contato com ele. LCJ fez a pergunta que não queria calar: quem é melhor, Pelé ou Maradona? Como não pensei nisso…)

18/11/2009

A mea culpa e a saia justa

por Raphael Zarko

Ainda na onda um tantinho-politicamente-correta do Yougol, precisava rever meus conceitos sobre Fred, o artilheiro do Fluminense, que um dia chamei de marolinha e agora sensacionalmente fez 10 gols nos últimos 10 jogos.

Talvez seja uma comparação um tanto quanto tola – o que não chega a ser surpresa, mas Fred mudou da água para o vinho (e tome vinho!) tal qual a estudante Geisy. De perseguidos (seja pela torcida ou pelos unibambis da faculdade) eles passaram a exaltados e bajulados (ora pela torcida ora pelo Casseta & Planeta, por programas de auditório e por advogados de plantão). No fundo (seja do copo, do mar ou do vestido), eles queriam a mesma coisa: paz e um pouquinho de atenção. E tiveram sucesso. Conseguiram!

Montagem do site Fredgol

Agora ninguém fala mais no frequentador da noite, do Fred Slater, assim como não chamam mais a moça daquelas palavrinhas de baixo calão. Fred agora é a imagem da solidariedade e até vai leiloar uma camisa em homenagem ao ex-ídolo tricolor Washington. E Geisy, adivinha? Bom, a menina também vai leiloar o famoso vestidinho vermelho. Aliás, seria muito mais divertido e original se o atacante tricolor leiloasse a sua prancha de surfe, né?!

No mais, independentemente de salvar ou não o Flu da queda à Série B, Fred – assim como Geisy (ui!) – chama a atenção pela forma física nessa reta final. São gols esbanjando saúde. Ele merecia essa mea culpa da minha parte. E a torcida tricolor só espera que ele continue nessa fase absurda.

Já Geisy seguirá sua dura rotina de gravações, fotos e poses, e tudo por causa de uma tremenda saia justa.

Geisy e Antônio Lopes - Foto: G1

Leia mais: A marolinha de Fred

18/11/2009

Omãravilhoso ano de Dunga

por Raphael Zarko

Dunga, como todos agora já sabem, é um cara de sorte. Nosso técnico não só nasceu com o o bumbum virado para a lua, como deu mostras de que também vive por lá. Antes do amistoso contra Omã, o maravilhoso Dunga elogiou o adversário: “É um time ótimo“, disse o comandante da seleção do hexa.

Nem as convocações esdrúxulas são mais contestadas! Contra Omã, o maravilhoso Dunga chamou o incrível Hulk. E mal saiu uma linha criticando o jogador desconhecido. Virou quase unanimidade. Bem diferente do comportamento da velha imprensa, arcaica e manipuladora, quando, por exemplo, foi convocado o Afonso Alves.

Pegue todas estatísticas, todas convocações, todas coletivas, todas roupas coloridas. Ele é o cara. Um sucesso, candidatíssimo até ao Troféu Imprensa de Sílvio Santos. No entanto, ao contrário de algumas camisas modelitos primavera que chegou a usar – especialmente selecionadas por sua filha, nem tudo são flores.

Orgulho e glória do desporto nacional

Depois do último compromisso contra Omã, o maravilhoso Dunga terá que se preocupar com três nomes para 2010: o Fenômeno Ronaldo, o Imperador Adriano e o Surfista Fred. E agora? Mesmo mal, Robinho é “do grupo”, inquestionável para ele, e Nilmar vem muito bem. E ainda tem Luís Fabiano, dono absoluto da camisa 9. Sorte que contra Omã, nem o mais mais patriota assistiu aquela pelada de despedida do mã ravilhoso ano de Dunga. Mas 2010 é outra história.

Leia mais: Resumo das Eliminatórias; Duas versões para Argentina x Brasil;

Atos nada secretos em busca do hexa; Dunga não está nem aí para o tal padrão de jogo

17/11/2009

No elevador com Dentinho

por Keux* (texto publicado no blog Olha o Hegel aparecendo, da mesma autora)

- Meu Deus! Não acreditooo!
- Oi! hehehe
- Ai, posso te dar um abraço?
- Claro!
- Tadinho! Você tá machucado, né?
- Tô, meu. Olha só como tá inchado.
- Putz, será que vai dar pra jogar contra o Flamengo?
- Acho que sim. Só contra o Náutico que não.
- Ah, bom! Porque eu vou estar lá, hein?
- Legal! Vai, sim!

Pego uma caneta com a recepcionista do prédio:

- Você pode me dar um autógrafo?
- Sem dúvida! Mas aonde?
- Aqui, no pacotinho do meu pão de batata!
- Hahaha! Tá quentinho!
- Ai, que emoção! Valeu!

PLIM! ELEVADOR LIVRE

Entramos no elevador. Eu, olhos vidrados nele e com a boca cheia de pão de batata:
- Nham, nham, nham…
- Tá gostoso, é? rs
- Tááá! Quer um pedaço?
- Não, valeu! Até mais e prazer em te conhecer!
- O prazer foi meu!

PLIM!

A porta do elevador fecha e eu, toda feliz, continuo a por os meus dentinhos no pão de batata autografado pelo Dentinho!

*Keux é uma linda corintiana (ainda por cima alfabetizada) e dona do blog Olha o Hegel aparecendo! Ah, e ela já deixou seu humor paulistano, pra lá de carioca, por aqui antes.

OBS do Yougol: se Dentinho fosse mais ixperto não assinava um abraço, mas deixa pra lá… É garoto…

Leia mais: Louca por ti, Corinthians!

16/11/2009

Rumo ao hexa!

por Monique Arruda*

Neste domingo, aniversário de 114 anos do clube, Adriano, Pet, Bruno e companhia deram um presentão para a nação rubro-negra: o ânimo que faltava para sonharmos com o título brasileiro. Agora, depois do espetáculo de ontem, esse sonho está ainda mais real. Os ingressos para o jogo contra o Goiás já estão esgotados e com certeza assim será contra o Corinthians no Pacaembu.

É inegável que a torcida rubro negra faz a diferença sempre e isso empolga ainda mais os jogadores. É muito bom ver o amor com que o Imperador (e põe imperador nisso, pois ontem, Adriano definitivamente imperou no jogo) joga pelo Fla. Os olhos do artilheiro brilham quando ele veste o manto sagrado do Mengão. A impressão que dá é que ele tem vontade de jogar e ao mesmo tempo cantar com a torcida.

É contagiante também a paixão e a garra com que o Pet joga pelo time. E o Bruno então… esse nem se fala. O goleiro faz a torcida lembrar a época do Julio Cesar. É muito bom ver nossos jogadores jogando com amor e não jogando por dinheiro (pelo menos é o que parece).

O time do Flamengo embala, entusiasma e nos faz sonhar da mesma forma com que o time da década de 80 nos fazia. Seria Adriano o novo Zico? Bom, faltam dois gols para o Imperador igualar o número de gols em campeonatos brasileiros com o Zico. E, ao que tudo indica Adriano passará essa marca, colocando a bola no fundo da rede com a categoria de sempre.

Enquanto o Flamengo está prestes a comemorar o título de campeão brasileiro da primeira divisão, o Vasco como sempre, comemorando segundo…Mas, agora não foi o segundo lugar e, sim, título da segunda divisão. Se para os vascaínos o sentimento não pode parar, para os flamenguistas, o sentimento não para nunca!!!

*Monique é assessora de imprensa e flamenguista fanática, como deu para perceber.

14/11/2009

Devaneios futebolísticos, por Gilberto Gil

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* Direto do Yougol Viagens

Começo meu primeiro artigo no Yougol lembrando dessa vertiginosa reta final de Campeonato Brasileiro. A meu ver, o distinto público que cede toda sua diplomacia para essa manifestação artística cultural – e acultural - não pode esquecer da qualidade do produto futebol, que é o sim e o não também das raízes plurais da paixão bretão por esse esporte de massas.

Indubitavelmente tecendo flertes por massas, não há como não lembrar da belíssima Florença e dos times de origem italiana, destaques novamente nesse fim de campeonato.

Os Palestras de São Paulo e de Minas são pródigos em reações fantasiosas, ideais da versificação da literatura musical, para ficar em um exemplo. Ou alguém duvida do macunaísmo do guerreiro Obina, um bom baiano, que sempre floresce, renasce e encanta com sua cor zulu e seu instinto sintético e prosaico? Esse jogador é de um sincretismo e de uma realidade quase religiosa para horas decisivas. De modo que o teor definitivo do campeonato vai passar pelo seu humor. Os deuses da Bahia – mais fortes do que os do futebol – estão com ele.

Muito me cativa também o Tricolor Paulista, um time cuja simbologia já ultrapassou as simples divagações criativas de apelidos, como Jason, para aqueles que querem enaltecê-los, ou Bambi, aos desguarnecidos de concretude acéfala. Inclusive, um jogador se destaca, quando o aspecto vidente passa a ser a criatividade de composições dentro e fora de campo.

O nome dele é Richarlyson, a mais acabada obra da flexibilidade dos novos tempos do futebol. Como dizem os comentaristas do ramo, ele representa o que há de mais moderno nos campos brasileiros. Realmente o Ricky está à frente de seu tempo. Todos outros estão atrás de sua originalidade.

Mas não podia encerrar minha primeira interferência nesse mundo real e virtual, globalizado e específico que tratamos num sítio sobre futebol, sem lembrar do Flamengo. Um clube que é por si só um vulcão em erupção do povo, uma dádiva  préssalina da conjuntura acalorada do país.

Agora, vejam se não é curioso e monocromático esse clube: o maior ídolo dele na contemporaneidade trata-se de um sérvio, um dissidente da terra dos balcãs. É, no mínimo, desconcertante esse símbolo da identidade brasileira, unindo países tão diversos na antiga Europa, na antiga União Soviética. Por essas e por outroas, que meu velho amigo Cartola repetiria: o mundo é mesmo um moinho.

*O Yougol simplifica Gilberto Gil. Ele quis dizer: que vença o melhor!