por Eduardo Zobaran
Outro dia, abri a revista FourFourTwo e me deparei com uma pequena enciclopédia do futebol brasileiro. Na verdade, não era bem isso. Era um A-Z do futebol brasileiro. Meio assim, G: Garrincha, M: Maracanã, P: Pelé. Maneiro, né?!
Pois então. Fiquei com aquela coisa encascatada na cabeça, matutando até quando degustava um saboroso sorvete Itália – um é R$ 1,20, dois é R$ R$ 2 [nota do editor: isso não é um post pago] – e quando percebi já tinha outra lista semi-pronta (com hífen!). O tema, é claro, é o futebol carioca dos anos 90, um verdadeiro formador de caráter.
Que tempo bom, que não volta nunca mais.
A
Addison Coutinho: “Elementar, meu caro Addison”, agradecia Januário de Oliveira – o narrador cruel, muuuuito cruel – ao repórter de campo assim que ele respondia a pergunta “O que foi que só você viu?”. Gérson completava o time das transmissões de segunda à noite da Band. Vira e mexe o Canhotinha de Ouro mandava: “ô…Januário, esse Macalé joga no meu time”. Que escrete!
B
Briga de Cafezinho x Romário: Rola o papo que Romário não bebe, não fuma e não cheira, mas é viciado em café. É, pode até ser. Fato é que, mais marcante do que a inusitada contratação do melhor jogador do mundo pelo Flamengo, só a briga dele com o mirrado lateral-direito Cafezinho, do Madureira.
C

Vamos todos cantar de coração...
Cobi Jones: Poucos times podem tirar essa onda. Cobi Jones só jogou no Los Angeles Galaxy, bem antes do Beckham; no Coventry City, da Inglaterra; e, no Vasco da Gama. Curtiu essa? Pois é. O mais folclórico lateral direito das Copas de 94, 98 e 2002 jogou no Rio em 1996. Na verdade, quase não jogou. Fez umas aparições na Copa Rio, um torneio caça-níquel que era disputado por times pequenos e reservas dos grandes. Além, é claro, das aparições no Banana Café, em Ipanema, na companhia de um dos filhos de Eurico Miranda.
D
Denner: Ele morreu no dia em que eu completava 10 anos de idade. Não sou vascaíno, mas já naquela época tinha uma queda – no sentido ludopédico da coisa – por qualquer jogador que fugisse do lugar comum. Ele fugia e, por isso, fiquei triste. Aliás, no Rio, ele não chegou a encantar como prometia, mas ja começava a ganhar certa confiança quando morreu em um acidente de carro na Lagoa. O Vasco acabou campeão em 94 e dedicou o título ao craque.
E
Edmundo e sua dança da bundinha: Aquele campeonato tava meio sem graça. O Botafogo ganhou a Taça Guanabara com 100% de aproveitamento e, também, o segundo turno. Com a fraca campanha alvinegra no terceiro turno, o Vasco ficou com chances e Eurico Miranda descolou um adiamento de mais de um mês dos jogos decisivos. O motivo: quatro jogadores prestavam serviço para a seleção, sendo dois juniores (Pedrinho e Hélton). De volta ao Rio, o Vasco se classificou para a final. Edmundo, no primeiro jogo contra o Botafogo teve a magistral ideia de lançar a dança da bundinha na frente do Gonçalves, que nada fez. Na volta, golaço de Dimba e dança da bundinha invertida. Corre atrás, Créu!
F
Falta de Luz: Quem não se lembra da falta de luz que aconteciam sempre naqueles estádios pequenos justamente quando o time dono da casa conseguia empatar (ou o Vasco fazia o da vitória). Logo depois, o cameraman da Band filmava o bairro no entorno e as luzes das casas estavam sempre acesas. O pior era esperar os refletores ascenderem lentamente. Isso quando a luz voltava.
G
Gol de Barriga: Precisa dizer mais alguma coisa sobre o momento mais marcante do futebol carioca nos anos 90?
H
Humberto: Humberto é um daqueles jogadores que atravessou a década de 90 exibindo seu futebol em times pequenos, como o Volta Redonda. Outros craques de times menores embalaram nossas noites de segunda: Pacato (segundo Januário, “Pacaaaaato vira Gato Guerreiro e faz uma liiiinda defesa”), Marçal, Paulo Paiva, Saint-Clair, Reginaldo Pinguim, Macula, Borçato, Barata, Pachola, André Pimpolho, Haroldo, Afrânio e Luciano Vianna [update colaborativo: Pintinho e Márcio Caruaru].
Depois de A-H, o Yougol vai postar o I – Q e, depois, R – Z. Se tiver alguma crítica ou sugestão, sinta-se à vontade para usar a caixa de comentários.
porra, que vacilo! me amarrei na ideia e já tinha pego até um café pra ler até o Z.
Boa mlk! Só num vai falar de nenhum Zobaran ou Zarko no final né?!
absss
Porra, Dudu. Tu se superou. Mandou absurdamente bem! Muito irado, fiquei aqui com vontade de ler isso até o Z.
Tu citou vários jogadores aí e me lembrei de um meia Pintinho que foi craque no Voltaço e Entrerriense. Lembra desse maluco? Driblador nato…
Januário de Oliveira é o maior! Me emociono (deverdade) em lembrar das suas narrações…
O futebol carioca do passado faz uma falta grande. Hoje, lutam para não cair ou uma vaga na Sul-Americana.
O meu Botafogo é um grande exemplo disso.
Muito bom !
Relembrar alguns momentos do nosso futebol!
Aí vai minha contribuição:
M:
MÁRCIO CARUARU-”O Gullit do sertão”
Gostaram?
Salve Januário!(o santo e o grande narrador)
Saudações Vascaínas!
Sensacional a história do Cobi Jones eu lembro de um camaradinha amigo meu, na época mesmo rondando a Copa de 94, ele vascaíno veio todo animadão falando que o Cobi ia jogar lá
“um brible às vezes é melhor que um gol”, disse uma vez denner, debruçado nas redes de são januário. um jogador que marcou meu início de torcedor fanático. vendo o vídeo agora não teve como não se emocionar com o choro sincero de gente como jair pereira, que depois do vasco nunca mais brilhou como treinador.
- marcio caruaru realmente era histórico. e era bonzinho até.
parabéns!
J: Júnior o vovô garoto!
quanto ao Cobi jones, foi manero ver a figurinha… Completei aquele álbum!
me deu uma vontade de comer na Oásis…
Essa da falta de luz era clássica mesmo! Em são janú então! 0×0 43′do segundo tempo, apaguem a luz! Quando ligavam o gerador, a bola nem precisava balançar a rede, o placar já acendia 1×0 apro vasco… lamentável!
Januário de Oliveira, podes crêr! todos os jogos eram transmitidos ao vivo naquela época. Muito bizarro!
Sensacional, Eduardo! Que saudades do futebol carioca dessa época.
Sou mineiro, mas, como bom vascaíno, o Campeonato Carioca é o que mais me atrai, por todo o imaginário e folclore envolvido em torno dele.
Quando chegar na letra T, não hesite: Tri do Vascão! hehe
Abraço.
O addison coutinho é de fato a Letra A.
Agora, o GOL DE BARRIGA como destaque? Cara, isso só pode ser coisa desse yougol que a cada dia revela mais o seu ensejo anti-flamenguista e pró vasco. Conclamo os leitores a perceberem um processo de vascainização que um promissor blog de futebol está passando. O que é péssimo, vai ser vice nas paradas do google analytics e deve cair pra segunda divisao da blogosfera.
o vasco incomoda mt, né, japa. mas a questão é que foi um aniversário de 111 anos. uma data especial. apenas isso. e tb nao temos culpa de os outros times cariocas estarem com inveja da segundona e quererem se juntar ao vasco. isso é saudade, sei como é…
Será que o Vasco encontrou seu lugar?
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Irado mlq, me emocionei com a barrigada do Renato e o Januário: “Bateu pro gol e…..Bandeirantes o Canal do Esporte”
Não sei como cheguei a esse post, mas foi um achado! Muito bom mesmo!! E, como já disseram acima, deu saudade do futebol do Rio dessa década!
mto bom sóbaranga!! mas ficaria melhor assim:
A – Adriano B – Bruno C – Camacho D – Denis Marques E – Everton Silva… hahaha
Puxa que irado..lembrar de Januário de Oliveira , o maior ícone da TV, juntamente c/ Adson Coutinho…’é cruellll ele é cruel..Jacózinho é cruel’..muito da’ora!!
abraços
pessoal
zenaldo/SP
Fala cara, tudo bem?
Tudo que você citou aí com exceção do Cobi Jones eu me recordo. Aliás no C eu colocaria Claúdio Adão no Voltaço… já em fim de carreira o artilheiro ainda fazia seus gols e mostrava sua habilidade.
Dá pra fazer um A-Z dos anos 80 tb.
Porra… esqueceu do CRUVINEL!
CRUEEEEEEEEEEL, MUUUUUUUUUUUITO CRUEL O CRUVINEL, MATADOR DO ITAPERUNA! HUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAU!
ESQUECEU DE OUTROS ETERNOS DO ITAPERUNA: O VOLANTE JANUÁRIO E O CENTROAVANTE BARATA!
Meu caro, piadas e provocações à parte, que são sempre válidas, o “pior ataque do mundo” nunca disputou uma partida no Campeonato Carioca. Edmundo foi contratado para o Brasileiro de 95 e saiu no final do ano.
Mas ninguém disse que ele jogou o Carioca. O post é sobre futebol carioca nos anos 90.