por Felipe Tartari*
O insuportável calor lotava as praias cariocas no último domingo antes do Natal de 1997. O dia era 21 de dezembro, e as férias de fim de ano alegravam as crianças mais do que de costume.

Edmundo dribla Clemer no 4 a 1 sobre o Fla, com três dele. 29 gols e todos recordes quebrados
Eu, então com 12 anos, jogava bola com muita inspiração, e driblava a todos sem dó nem piedade. Ai de quem falasse que eu não era o Edmundo. No meu time tinha um rapaz alto e lento que não jogava nada, mas logo após seu segundo gol foi apelidado forçadamente de Evair, e, daí por diante, todos os fatores passaram a ser associados ao clássico de logo mais. Minha primeira final de Campeonato Brasileiro no Maracanã.
Vasco e Palmeiras decidiriam o título após o empate de 0 x 0 na partida de ida em São Paulo. Edmundo recebera o terceiro cartão amarelo que lhe suspenderia do confronto de volta, mas, ao forçar uma expulsão aos 37 minutos, conseguiu seu álibi para um efeito suspensivo que o garantiu na partida final. Clássica atitude dos anos de Euriquismo.
Dentro do Maracanã, o público assistia via telão a primeira final da Copa das Confederações entre Brasil e Austrália. A dupla Romário e Ronaldo massacrava os “aussies” por 6 x 0, e ninguém queria mais saber em assistir televisão. Naquele dia 21, isso ficara a cargo dos flamenguistas, tricolores e botafoguenses.
Eram quase 16 horas, e o fim de tarde dava uma brecha no forte calor, como que esperando por algo grandioso. A torcida do Vasco só aumentava, e, das cadeiras inferiores, pude ver os vascaínos literalmente espremerem a torcida do Palmeiras até o último espaço possível.
Sob o comando de Antônio Lopes, o Vasco teria Carlos Germano, Válber, Odvan, Mauro Galvão, Felipe, Luisinho,

Mauro Galvão, Valber, Edmundo, Felipe, Juninho... Cadê o Evair? Mas reparem no Gato Guerreiro, o mini Carlos Germano, na frente de todos. Será o Fabio, do Cruzeiro?
Os dois melhores times do campeonato chegavam com méritos à final, mas só um seria coroado. Ao Vasco, equipe com melhor aproveitamento na fase de classificação, restava provar perante a sua torcida que aquele time era de fato um dos melhores de toda sua história. Com material esportivo da Kappa, e patrocínio da Data Control, aquele sim era um time que “have control the match” e, por isso, sempre mandava um “match frombehind” nos adversários.
Na final, o jogo foi bastante disputado com poucas chances de gol para cada lado. O artilheiro do campeonato Edmundo roubou a bola na entrada da área e chutou rasteiro, mas Cléber salvou em cima da linha. Com a bola não entrando na frente, coube ao goleiro Carlos Germano garantir o título. Com duas defesas milagrosas em chutes de Euller e Alex, o goleiro vascaíno ainda teve chance de defender a uma cabeçada no ângulo do atacante Oséas, aos 44 do segundo tempo, e garantiu o zero a zero que dava o título ao time de melhor campanha.
Não tinha mais jeito, o título era do Vascão. Fim de jogo e início da festa.
Oh! Que saudades da aurora da minha vida.
*Felipe Tartari é jornalista, publicitário e colaborador do Yougol.
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Eu fui nesse jogo. Nas cadeiras também. Lembro de assistir o segundo da Copa das Confederações no telão.
O meu irmão foi nesse jog também. Tenho 3 irmãos e todos vascaínos e só eu de botafoguense, mas eu vi esse jogo e esse ano é inesquecível mesmo para os vascaínos.
Cadê o Pai Santana?
devia estar cuidando do evair…