O Yougol preparou nessa semana de aniversário de 111 anos do Vasco, completados na última sexta-feira, um especial lembrando os quatro títulos brasileiros do clube. Já tivemos 1974, 1997 e agora a conquista de 2000. Falta o título de 1989, em cima do São Paulo no Morumbi.
por Thiago Ferreira dos Santos*
“Primeiro atender todo mundo, primeiro atender todo mundo”.
“Pede pra sair pra ali que nós vamos começar o jogo”.
Duas declarações do Tio Eurico, mas a que ficou marcada foi a segunda. O dia 30 de dezembro de 2000 sintetiza bem o apice do amadorismo no Futebol Brasileiro. Foi a gota d’agua. É dificil afirmar que a edição 2000 do Campeonato Brasileiro tenha sido a mais desorganizada de todos os tempos, até porque foram inúmeros os Brasileirões de regulamentos incompreensíveis, mas aquela foi certamente a mais marcante.
Devido a uma série de bizarrices no formato dos campeonatos do final dos anos 90, a CBF foi impedida de realizar o campeonato 2000 pela justiça, que acatou as reclamações do Gama que lutou bravamente na esfera juridica (com razão, por sinal) pelo direito de se manter na primeira divisão. Com isso coube ao Clube dos 13 organizar o Campeonato Brasileiro daquele ano, que foi chamado de Copa João Havelange, e teve a participação de 116 clubes.
Alheio a tudo isso, o Vasco montou um timaço para disputar a competição. Era o fim da epoca de parcerias com empresas internacionais, que inexplicavelmente bancariam equipes “galaticas” a troco de nada. Anos de ISL, Hicks & Muse, Nations Bank…
Nove anos depois sabemos o mal que tudo isso fez (principalmente vascaínos e corintianos), mas na epoca estavamos encantados, me lembro da excitação de Flamenguistas que sonhavam com Luis Figo, da empolgação dos Tricolores após a parceria com o Real Madrid, que traria Guti para as Laranjeiras. Eu, me maravilhava com o elenco vascaíno. E acreditava veemente que tínhamos sim, o melhor time do mundo.
Hélton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa, Jorginho (Henrique), Juninho Pernambucano (Paulo Miranda) e Juninho Paulista (Pedrinho); Euller e Romário. Esse foi o time da grande final (parte 2) da Copa JH. A grande maioria desse elenco vivia ali o auge de suas carreiras. Um elenco de selecionaveis, algo dificil de se imaginar dentro do Brasil nos dias de hoje. Inclusive o quarteto ofensivo do Vascão foi titular da seleção de Candinho na goleada de 6 a 0 sobre a Venezuela em Maracaibo em outubro daquele ano.
Com grande facilidade, o time vascaíno se classificou com quase um mês de antecedência para a fase final do Campeonato, o que explica o porquê de ter conquistado apenas 6 pontos dos últimos 21 disputados. E serve de lembrança para aqueles loucos que defendem a volta do mata-mata.
Depois de ter sofrido para passar pelo Bahia nas oitavas-de-final e pelo Paraná nas quartas, o time do Vasco chegou nas semi-finais meio desacreditado, e o treinador Oswald de Oliveira com o filme pra lá de queimado. Após conseguir o adiamento da semi-final devido ao desgaste causado pela fase final da Copa Mercosul, o Vasco enfrentou o Cruzeiro debaixo de um calor de 40 graus, e abriu 2 a 0 com facilidade no primeiro tempo. Mas, pra variar, Oswaldo de Oliveira decidiu retrancar completamente a equipe no segundo tempo, tirando Juninho Pernambucano, Euller e Jorginho para as entradas de Luisinho, Nasa e Pedrinho. O resultado pouco surpreendente foi o empate Cruzeirense, o que custou o cargo de Oswald de Oliveira.
Seu substituto foi o ilustre Joel “I dont bidedu” Santana, que deu novo ânimo a equipe, algo que ficou claro no show de bola que o Vascão deu no Cruzeiro em pleno Mineirão lotado. Vascão 3 a 1 e rumo a final contra o surpreendente São Caetano, do matador Adhemar.
Primeiro jogo da final, em um Palestra Itália lotado de torcedores de aluguel, brilhou a estrela do goleiro Helton que conseguiu suportar a pressão do Azulão. E o resto, a gente se lembra bem. Vascão Tetra-Campeão incontestavel, com um timaço bastante superior aos rivais. Alheio a todas as lambanças, o Vascão mandava no Brasil. No episódio da final no Maracanã, nos tornamos o time mais odiado do Brasil. Algo que não nos trouxe nenhum benefício, mas que admito, deu um orgulho a mais de ser Vascaíno. Contra tudo, contra todos.
*Thiago Ferreira dos Santos é jornalista, vascaíno e, quem sabe um dia, torcedor desde criancinha do Serrano
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