O A-Z do Futebol Carioca nos anos 90 – Volume III

por Eduardo Zobaran

Alô, você!

Se chegou até aqui é porque deve ter lido os nossos dois volumes do A-Z do Futebol Carioca, não? Não? Então, vá lá… mas não se apresse. Leia o R-Z antes. Se você não entendeu, volto a explicar, trata-se da minienciclopédia da última década feliz do futebol do Rio.

Agora, papo firme. O A-H e o I-Q são moles. Difícil mesmo é fazer esse Volume III, cheio de letras inusitadas como U, V, W, X, Y e Z.

R

Seria Charles Bronson o Rei do Rio?

Seria Charles Bronson o Rei do Rio?

Rei do Rio: Eu sei que você vai me xingar. Tá pensando: Futebol. Anos 90. Rio de Janeiro. Romário é rei, Romário é o máximo, ele é o cão. Mais ou menos por aí, cara. De fato, a contratação do Romário foi o que melhor (e pior) aconteceu com o futebol carioca nos anos 90, quiçá do Brasil, da América Latina e, sejamos hipócritas, do mundo. Mas, pensa comigo, teria sido tão legal se não tivesse adversários à altura (sem trocadilho) e que até o superavam? Pois é, a briga de Romário, Renato Gaúcho, Túlio Maravilha e… e… e… Clóvis Bate-Bola pelo trono da Guanabara foi o apogeu da década. Já no ano 2000, descobriríamos quem é o bobo da corte.

S

Super Ézio: Quem foi o grande ídolo tricolor do anos 90? A reposta tradicional é a daquele sujeito do gol de barriga, já mencionado na letra G e R, mas a verdade é que ídolo que é ídolo não joga pelo rival e tem um apelido bacana. É óbvio que Gaúcho não é apelido. Mas Super Ézio é. O herói da criançada estava lá na época de seca do Fluminense e, ainda por cima, participou – como coadjuvante, é verdade – do título de 1995. Logo depois, foi embora, mas deixou seu legado no coração de uma geração de jovens tricolores carentes de heróis.

T

Troféu de Papelão: Bom, vou te falar que esse T ficou entre o Tricampeonato do Vasco, aquele que teve alguns jogos suspeitíssimos, sempre com o Pimentel marcando seus gols aos 48 do segundo tempo, e o Trirebaixamento do Fluminense, algo que merece o seu A-Z próprio e, por isso, deixei de fora da lista. Mas, péralá, como deixar de fora a mais patética comemoração de um pseudo título do que aquele troféu – na verdade, a caravela de um geraldino – de papelão erguido pelo Vasco em 1990. E depois ainda falam da Taça de Bolinha do São Paulo Flamengo. Que papelão!

U

U-i-demar, u-i-demar!

U-i-demar, u-i-demar!

Uidemar: De todos os verbetes desta enciclopédia, não tenho medo de afirmar, este é o único indiscutível. Proponho para você, leitor que chegou até aqui, que aponte o nome de um único jogador com U que tenha mais a cara dos anos 90 do que Uidemar. Apesar do futebol discreto (assim meu colega de trabalho o definiu), ele sempre esteve ali no Flamengo, dividindo a meia cancha – nos anos 90 ainda tinha gente que falava isso – com Júnior, Zinho, Marcelinho Carioca, Djalminha e Zinho. E ainda deu uma enganada no Botafogo e no Fluminense. Dá-lhe, Uidemar!

V

Virada de mesa: Será que é coisa do século passado? Não sei, mas nunca foi tão atual quanto em 96, quando Álvaro Barcelos e Wellerson estouraram champagne para celebrar a virada de mesa, ou melhor, A virada de mesa. A manobra abonou Renato Gaúcho de pagar a promessa de desfilar pelado em Ipanema. No ano seguinte, Renato saiu, mas o Flu continou rebaixado. E dessa vez foi mesmo, em 97, para a Segunda e, em 98, para a Terceira, onde foi campeão. Não cito o Caso Sandro Hiroshi por motivos óbvios.

W

I'm too sexy for my shirt!

Apolinho, we have a problem!

Washington Rodrigues, o Apolinho: Você é jornalista? Não. Então, finge que é. Já imaginou ser considerado um dos jornalistas esportivos mais influentes da sua cidade e, numa sacada mirabolante de um dirigente (ga)lácteo, passar a treinar o clube de maior torcida da cidade – e do país também, hein Ronaldo!. Pois é, isso aconteceu com Washington Rodrigues, técnico do Flamengo em 95 e diretor em 98. Wellerson e Wagner, fico devendo a vocês essa!

X

Xuxa? Colé, eu sou paquito!

Xuxa? Colé, eu sou paquito!

Xuxa: Xis o que que é? É Xuxa! Claro. Anos 90 também é Xuxa e nem o futebol poderia ficar fora dessa. Você se lembra daquela paquita lourinha Bombril (SUCESSO, Paralamas do), uma que não era bem paquita, mas foi chegando junto como assistente de palco e de repente foi oficializada, lembra, lembra? Pois é, era a Miúxa, affair do Djair – que, dizem, era íntimo da Rainha dos Baixinhos. Djair (paquito?) apareceu no Botafogo e pra lá voltaria anos mais tarde. Antes, porém, trocou o Fluminense de Renato pelo Flamengo de Romário. Com a qualidade de passe e lançamento e a lentidão que lhe eram peculiares conquistou quatro estaduais e um Rio-SP. Iranildo Xuxu (do português, chuchu), você ficou de fora dessa!

Y  

Yan, brilha muito no Vasco!

Yan, brilha muito no Vasco!

 Yan: Tá, tá. Confesso que cheguei a escrever o vocábulo Yougol, onde dizia que qualquer semelhança entre o nome deste blog e a narração de gol do Januário de Oliveira não é mera coincidência. Mas já que estamos falando de Y nos anos 90, não posso me esquecer do Yan, que encarou a Segunda e a Terceira pelo Flu. Aos poucos, Yan virou uma espécie de Sérgio Manoel piorado, mas quando surgiu o céu parecia o limite. Ao lado do fiel escudeiro Gian, foi campeão mundial Junior, em 93, e participou ativamente no último título do tricampeonato do Vasco, em 94. Nunca mais foi o mesmo, mas esteve por aí por um tempo.

Z

Zé Carlos: É verdade que o homônimo, ex-goleiro do Fla recém-falecido, também merecia uma lembrança, mas a outra ideia era falar de Zé Maria, Zé Roberto ou, até, Zé Romário. Mas não, vou falar do caçador de paulistas, Zé Carlos, que ganhou a alcunha depois de fazer gols contra todos os paulistas no Rio-São Paulo de 98, conquistado pelo Botafogo. Depois disso, a torcida teve que aturar Zé Maluco até o século seguinte. O destrambelhado tinha uma única jogada: abaixava a cabeça e saía correndo ou chutando qualquer coisa pela frente. A quem acredite que a terceira maior humilhação do Botafogo que eu vi, o 0 x 0 contra o Juventude, no Maracanã, poderia ter sido diferente com outro camisa 9. Inexplicavelmente, em algum momento da história, criou-se a lenda que o apelido dele no Botafogo era Zé do Gol.

Prorrogação

Patola: Tudo bem que a cartolagem, com Eurico Miranda, Caixa D’água, Emil Pinheiro, Kléber Leite e Álvaro “Champagne” Barcellos (se deram mal, não viraram vocábulos!), era muito forte na década de 90. Mas esses eram de gerações antigas, estavam aos poucos sendo substituídos (mentira!) pela…pela…pela…pela patolagem. Sim, o introdutor (sem duplo sentido) da prática foi Nelson, como bem se lembra Luiz Fernando, do Cruzeiro. Logo depois, Aílton curtiu e não deixou barato, patolou seu companheiro Rogerinho.

 

Valter Senra: Não poderíamos falar do futebol dos anos 90 e esquecer dos grandes protagonistas: os juízes. Sim, porque nos anos 90 ainda não tinha essa viadagem de árbitro. Juiz era juiz. E Valter Senra, o Bianca, foi um dos que personalizou a década. Não dá para esquecer seu fiel escudeiro, Jorge Emiliano, o Margarida. Nada de graça! O Yougol presta aqui um minuto de silêncio para os dois que hoje apitam as partidas de Garrincha, Denner (letra D) & Cia Ltda. no céu. Já que estamos falando de juízes, aproveito o espaço: Ubiraci Damásio, Carlos Elias Pimentel, Claudio Garcia, Léo Feldman e Claudio Vinicius Cerdeira, jamais nos esqueceremos de vocês.

 

E viva o futebol carioca nos anos 90!

 

Além do R – Z, o Yougol já postou o A – H e I – Q. Se tiver alguma crítica ou sugestão, sinta-se à vontade para usar a caixa de comentários.

13 Comentários

Arquivado em A - Z do Futebol Carioca nos anos 90, Memórias

13 respostas para O A-Z do Futebol Carioca nos anos 90 – Volume III

  1. O passado do futebol carioca tá dando uma saudade muito grande.

  2. Thiago Ferreira dos Santos

    Botafoguense têm sempre que fazer um chororo.

    Vasco tricampeão INCONTESTAVEL!

  3. Lanterna Verde

    reza a lenda que o meu grande concorrente “O SuperÉzio” fazia o mesmo número de gols do que a quantidade de vezes que trepava antes do jogo…
    enquanto ele vendia potência, eu….
    é triste, né?

  4. Rei do Rio: ROMÁRIO.

    Washington Rodrigues ia com uma TV pro banco de reservas, lembra?

    Super Ézio era mais folclore do que bom jogador…

    Boa garoto!

    Mas é melhor parar por aí, pq se for fazer a mesma coisa mas nos anos 2000 só vai dar Flamengo… Hegemonia total…!!!

  5. Meu Deus…que delícia ler isso! Fazia tempo que não ria tanto…

    como bom vascaíno, tenho até foto com o Clóvis gordito em 95, time ridículo do Vasco aquele ano.

    Li as outras duas antes, mas esperei acabar para comentar. Muito bom mesmo, meus parabéns! Quase chorei na letra F, descrição perfeita! Lembrei até do título do Vasco de 98 em Moça Bonita.

    Posso indicar o A a Z no meu blog? Valeu!

    Abraços

  6. felipe

    abre parênteses: “Hegemonia total, (vírgula) no campeonatinho carioca”..
    no futebol carioca como um todo, o Vasco foi o único carioca campeão brasileiro na década… e será novamente agora em 2009, explorando a divisão que logo mais será recheada de tricolores, botafoguenses e framenguistas…

  7. João Fontes

    Nos juízes, faltou o glorioso LADRÃO Aluísio Viug…

    Que horror!

  8. João Fontes

    No Y, podia botar também o Yenai, liberiano contratado pelo Fluminense que diziam ser melhor que o Weah na época! Hahaha, muito clássico isso!

  9. Uidemar, vulgo Ferreirinnha! Engana-se quem diz que ele jogou um futebol discreto, ele veio do Goias e jogou muito no meio campo do Fla. No Brasileirão de 92 a meiuca era formada por: Júnior, Uidemar, Nélio e Fabinho. Meio Campista de bom passe e bom combate.

    SRN.

    Ps.: Ao desavisado vascaíndo aê de cima, o Fla não cai, time grande não cai. O Vascú tá no inferno fritando inhame na bunda do capeta é quer tirar onda? vlw SEGUNDONA!

  10. Fred

    Boa zóba!

    Não sou fã de listas como top 10 e abc’s, mas depois do ABC do forró do bom baiano Moraes Moreira (e é claro se estamos nos anos 90 o ABC da Xuxa), o seu é o melhor que eu já vi! O amigo botafoguense foi muito carinhoso com todos os clubes do Rio, inclusive o meu Mengão! Não caiu na tentação de contestar a grandeza da nossa torcida e a condição de primeiro penta-campeão brasileiro! Abriu mão do Túlio Maravilha pra eleger o Troféu Papelão! Falou muito bem das trambicagens que acabaram com o futebol carioca. Viradas de mesa, Eurico Miranda, Edmundo (o jogador e o dirigente) e Kléééééber (lobo na pele de carneiro que só quer saber de mamar na teta) Leite.

    Prorrogação
    Enquanto os juízes e os dirigentes de clubes e federações metiam a mão nos nossos clubes, um jogador vascaíno metia a mão no “clube” do jogador adversário!!!

    Jogo surreal
    Vascaínos de plantão,ora de parar de olhar pro próprio umbigo e orar pra televisão! Mas que dia é oje? terça? é aquele dia que vem depois da SEGUNDA!!! Festa pra quem tá na boca do jacaré!!

    Culinária esportiva
    Inhame frito faz a galera correr!

  11. felipe

    já imaginava as manifestações rubro-negras…
    framenguista é tudo prepotente mesmo, depois de usainboltarmos o recorde de público das 4 divisões, o amigo ainda vem dizer em torcida grande…
    essa de fritando inhame na bunda do capeta não conhecia não… deve ser mt comum nas favelas e nos prostíbulos do nosso brasil…
    vlw amigão.. parabéns pela campanha na série A

  12. Pingback: Minienciclopédia do futebol carioca dos anos 90 - Diário do Rio de Janeiro

  13. TAÍÍÍ O QUE VC QUERIA!

    Bons tempos de assistir Barreira de Ado x Flamengo de Romário no Eucy Rezende de Mendonça lotaaaaaaado!

    Bangu x Fluminense para 22 expectadores na noite gelada de uma segunda-feira de inverno…

    Botafogo 3×2 Itaperuna no Caio Martins, com 2 gols do Túlio e 2 gols do Cruvinel…

    Fluminense x Friburguense nas Laranjeiras com show do “monsieur” Luiz Henrique

    Sorato marcando 3 gols em um Fluminense 0×3 Bangu, nas Laranjeiras…

    Olaria de Igor, Leandro e Charles Guerreiro;

    Voltaço de Humberto, Reginaldo Pinguim e Marcos Paulo;

    América de Saint Clair, Gilcinei, Valtinho, Gilson e André Luiz;

    Bangu de Leo, Borçato, Marcelo Henrique, Cristiano Cafezinho, Macula e Wallace

    Americano de Pacato, Kenai, Pachola e Januário

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