Fábio, o Botafoguense

por Eduardo Zobaran

Fábio está preocupado. Há não mais do que um mês, o programa Loucos por Futebol, da ESPN Brasil, exibiu uma reportagem sobre ele, mas Fábio acidentalmente apagou a gravação que fez. A equipe de reportagem da emissora – e do Yougol – procurou Fábio porque ele não é uma pessoa qualquer. Fábio é um torcedor de futebol, tem 51 tatuagens no corpo com referências ao Botafogo e uma casa repleta de escudos, camisas e objetos de seu time do coração, sejam produtos licenciados ou feitos por ele mesmo.

É mais do que justo, portanto, que Fábio Lima seja conhecido por seu sobrenome adotivo, Botafoguense. O paraibano de Santa Rita – “sou conterrâneo do Almir. Lembra do Almir?” – chegou ao Rio em 1963, mas se mudou nos anos 80 para Búzios, o badalado balneário da Região dos Lagos fluminense. É de lá que exerce sua paixão e, vira e mexe, grava na pele e na parede o seu amor pelo Botafogo.

Fábio, ou Botafoguense, é mais um desses felizes assinantes do pay-per-view. Zelador há 22 anos de um condomínio de veranistas bacanas no point mais movimentado da mais movimentada praia da região, Geribá, suas idas ao Rio não são tão frequentes como gostaria. Bota o pé na estrada apenas para finais de campeonato e, por conta disso, ainda não conheceu o Engenhão – já se programa para tal. Mas Botafoguense lamenta mesmo é que nas últimas visitas ao Maracanã a sorte não tenha brilhado para a estrela solitária.

Com Nílton Santos gravado no abdome e o Pato Donald na panturrilha, ele não se cansa de falar sobre suas tatuagens, feitas com um artista local – por sinal, botafoguense como Fábio. Búzios, aliás, parece mesmo ser um território alvinegro. Além da casa do Botafoguense, o centro nervoso da cidade, a Rua das Pedras, tem ainda um bar estilizado com faixas, escudos, bandeiras e até energético do Botafogo. A culpa é de Marreco, pequeno empresário local, que percebeu, há dois anos, que o bem localizado açougue faria mais sucesso se vendesse bebidas alcoólicas. O visual botafoguense do empreendimento é só por mania mesmo.

De volta a Fábio e suas histórias contadas sempre com excesso de boa vontade e um contagiante brilho nos olhos, é difícil compreender tamanho carinho por um time de futebol. Não é incomum ser chamado de louco, mas – louco é quem me diz que não é feliz – a resposta de Fábio para os infiéis é um só: “se isso é um doença, eu jamais quero ficar curado”. Afinal, enumera, na vida são três suas paixões, os filhos, o Botafogo e a mulher. Nessa ordem, ressalta. E sorri.

Apesar de ter transformado a modesta casa de zelador em um verdadeiro museu e embaixada alvinegra. Botafoguense ainda não recebeu visitas de dirigentes ou jogadores. Até o encerramento desta edição, não se tinha notícias de nenhum compromisso do uruguaio Sebastián “El Loco” Abreu no local. E olha que eles fazem a pré-temporada de 2010 ali do lado, em Saquarema. Fábio não reclama, afinal não são poucos os torcedores do Botafogo e de outros clubes que o cumprimentam por sua devoção. Durante a breve conversa com o Yougol, fomos interrompidos ao menos cinco vezes por pessoas que passavam pela rua e gritavam Fooogo a plenos pulmões.

Os condôminos certamente acham divertido. E aqui não cabe nenhuma ironia. Afinal, foram eles que permitiram que Fábio decorasse sua casa por dentro e por fora com pranchas e versos de canções entoadas nas arquibancadas alvinegras. Uma pintura que começou ainda nos anos 90 e hoje impede que o condomínio passe despercebido, como mais um desses frequentados por veranistas em busca de sombra, curtição e água fresca. Não é raro, é óbvio, que apaixonados por futebol aproveitem suas máquinas de turistas para guardar uma lembrança de tão especial homenagem. É justo.

Por falar em lembrança, os olhos de Fábio brilham mais do que nunca quando me conta sobre uma tarde aparentemente normal, pouco mais de quinze anos depois que chegou ao Rio. Na então isolada Barra da Tijuca, foi apresentado para um sujeito simples, que segurava uma gaiola. Era Manoel Francisco dos Santos, seu maior ídolo e que vira jogar no Maracanã, em tardes tão especiais quando aquela e que igualmente não serão apagadas da memória. A longa conversa com Mané percorreu o campo das amenidades. Falaram sobre passarinhos, coisa e tal, tal e coisa.

Garrincha mal sabia que trinta anos mais tarde aquele, igualmente simples paraibano ostentaria com orgulho uma tatuagem a sua imagem e semelhança – à esquerda de Nílton Santos, subvertendo à ordem tática que oferecia a Mané a ponta direita. Além dos dois ídolos, há bandeiras, escudos e até um pitbull alvinegro. Com mais nove tatuagens, Botafoguense chegará a 60, sua meta. Entre as próximas, há um espaço reservado para Túlio Maravilha. Deve ser feita ainda este ano.

Se dos tatuados já se fez imagem de mal encarados e arruaceiros, é difícil pensar algo do tipo do Botafoguense, muito embora ele carregue ainda a cruz dos torcedores fanáticos. É hora de ir. Gentilmente oferece seu cartão – estilizado, é claro – e já programa um papo no Orkut, quem sabe para combinar o primeiro Engenhão. Antes de ir embora, em mais uma demonstração de cortesia, oferece a todos que visitaram sua residência que lavem seus pés, sujos de areia.

Até mais.

Texto, fotos e vídeos sob a tutela autoral (toma!) de Yougol.

20 Comentários

Arquivado em Yougol entrevista

20 respostas para Fábio, o Botafoguense

  1. Boa Zoba, yougol e equipe está de parabéns! Fábio é um torcedor realmente fanático, igual a ele tem vários pelo Brasil, de outros times. A matéria ficou show!

    Saudações Hexa******

  2. Ps.: Mutantes é horrível!!! kkkkkkkkkkkkk

  3. Marcelo Figueira

    Show! Não conhecia ele. Aposto que se avisarem ao Túlio ele vai arranjar um projeto de lei obrigando o Fábio a ir morar em Goiânia….

  4. duka! eu já tenho a minha 1ª! hahahhahaha

  5. Alexandra

    Daqui a pouco vc vai fazer isso na sua casa!!!! ahahha Bjoss

  6. Raphael Zarko

    porra, deixou o Rafael Botafoguense no chinelo. Aposto que tu nao tem nenhum do Fogão, e mal possui uma canequinha com a estrela solitária

  7. Yuri

    canequinha é o de menos, legal foi o ovo de páscoa

    um dia vou fundar uma empresa chamada CARVÃO BOTAFOGO, acende bem sua churrasqueira

  8. rafael botafoguense

    lógico que tenho canequinha,inclusive ela tava dando azar esse ano ai tive que trancar ela no armário,pro time voltar a ganhar…e deu certo!

    yuri,carvão botafogo já existe.

    tem um outro cara de brasília que tem um monte de tatuagem também,esse botafogo é alucinante na moral.

  9. Yuri

    droga!!!

  10. tem um cara do vasco doido tb, o valtinho. a espn (sempre ela) também fez a matéria com esse cara. quando caiu ele reformou a casa toda, pintou tudo etc. ele é da região dos lagos também. ‘encontrei’ com ele em SJ todo produzido, cordãozão de ouro, pingente gigante do vasco. figuraça

  11. Thiago Ferreira do Santos

    Irado, dudu. Mandou benzaço, show de bola leke!

  12. rafael botafoguense

    OLHA ESSE BOTAFOGO NA COPINHA!!!!!!!!

    hahaha monumental,à tempos que não sei como é sofrer muito e sair vitorioso,logo depois…obrigado mulekes,que venha a lusinha.

    luis guilherme(só pra responder o zaobaran),catou 3 pênaltis,e fez uma defesaça sinistra no último minuto.

    a defesa do botafogo na bola aérea é um lixo!

    VAMO NA RAÇA FOGO!!!!!!

  13. Raphael Zarko

    isso não é nada perto do amistoso a nível de nação hoje, com transmissão do sportv: amigos da seleção capixaba x amigos do carlos alberto do vasco.

  14. rafael botafoguense

    hahaha que lixo,pq num joga contra o fluminense que tá lá tambem.

    ia dar mó público.

  15. Claudio RK

    Curto, mas sincero: texto excelente. Parabéns.

  16. Raphael Zarko

    porra, 1 a 0 seleção capixaba. fim de primeiro tempo. já estou puto com o vágner mancini, que deixou o souza no banco para colocar o JUMAR!!!

  17. Zobaran,

    Muito bom mesmo! Figuraça!

  18. osvando paz

    valeu cara

  19. Esse Fabio representa de verdade o Amor da Torcida Mais Bonita do Brasil, a Torcida do Botafogo. Fabio, sou seu fã…

  20. wesley kanoty

    A torcida do oeste baiano precisamente de Barreiras, se orgulha com sua lealdade e amor pelo o glorioso FOGÃO.
    E NINGUEM CALA ESSE NOSSO AMOR!!!!
    Wesley Teixeira de Freitas (kanoty)

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