Seleção da década de 00′s: São Paulo

Por Marcus Alves*

A galera do Yougol vai me perdoar. Estou devendo esse texto há bastante tempo. Mas sabe como é… Sempre que rolava uma folguinha, era atraído pelo encanto da mulherada. Não dá para recusar um convite delas, vocês me compreendem. Ainda mais morando numa cidade como São Paulo, que, sem querer provocar, mas já provocando, possui uma noite melhor que a do Rio de Janeiro – um abraço para a boemia da Lapa que fechava os bares às 1h30min da manhã em pleno fim de ano – e que, confesso, não fica devendo em nada no quesito beleza feminina – nota 10, reconhece até mesmo o locutor do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Atendendo ao convite dos chapas cariocas, vamos à seleção da década da equipe que conta com as mais belas torcedoras desse país – um beijo também para as mineiras com quem tive o prazer de dividir o bar em 29 de abril de 2007, em Montes Claros, para acompanhar Atlético-MG 4 x 0 Cruzeiro. A tarefa que me foi repassada é das mais desafiadoras. Escalar os onze melhores do São Paulo nos últimos dez anos não é nada fácil, meu filho, já diria Muricy Ramalho – me perdoem pela menção, caros tricolores. Só o citarei mais uma vez.

Mesmo no período de seca, em que o Corinthians e o chamado melhor lado esquerdo do mundo, formado por Ricardinho, Kléber e Gil, faziam a festa em cima de nomes como Emerson, Régis, Rogério Pinheiro, Reginaldo Cachorrão, Julio Santos e Jean – esses dois últimos cotados para formar a defesa do futuro, nunca é demais lembrar – o São Paulo conseguiu projetar jogadores como Luís Fabiano, um dos membros do clube que iniciou a década desejando retornar à Libertadores e que se despede dela de ressaca, tentando se reconstruir.

Goleiro

Dez anos antes de encontrar as mineiras para um chopp na Avenida Sanitária, em Montes Claros, me recordo de correr para a janela e, acompanhado por Luciano do Valle, narrador da Bandeirantes, anunciar a quem estivesse passando pela rua o primeiro gol de Rogério Ceni em sua carreira. Não poderia ser outro o escolhido para ocupar esse posto. Mesmo sofrendo com a inveja dos adversários, que preferem idolatrar Marcos e a sua eficiência não só debaixo das traves, mas também em colocar seus companheiros na mira da torcida, o nosso futuro presidente nunca teve a sua liderança contestada dentro da equipe.

Slot...digo, Rogério quer chocolate.

Lateral direito

Como se esquecer de Pimentel e a sua belíssima atuação contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil de 2000, que resultou no passe de Sandro Hiroshi para o gol de letra de Raí, o seu último com a camisa tricolor? Ou então de Gabriel e Rafael, que, sob o comando de Oswaldo de Oliveira, se revezavam na lateral direita? É impossível. São jogadores de segunda categoria, claro, que, ao lado de Maurinho, Reginaldo Araújo, Michel e Joílson, não deixaram saudades no Morumbi. O mesmo Morumbi, que, na final da Libertadores de 2005, viu Cicinho cortar uma bola e comemorar como se fosse um gol. Uma imagem para a posteridade do titular de nossa seleção.

Zagueiros

A intenção era homenagear o esquema que tantos títulos nos deu nesta década e escalar a equipe com três zagueiros. Mas abandonei a ideia. Não por falta de nomes, claro. Fabão, Breno, André Dias, Alex Silva, Rodrigo, Edmilson e Álvaro foram perfeitos, cada um, em seu tempo, e contribuíram para que os traumas gerados por uma geração que teve seus pilares em Jean e Julio Santos – ambos A.C. (Antes de Cotia) – fossem superados. Miranda, melhor do que Cannavaro, e Diego Lugano, o Deus da raça, protegem a retaguarda tricolor.

Na pelota!

Lateral esquerdo

Fabiano, supervalorizado, Lúcio, o presente maldito do Palmeiras, Fábio Santos, a volta dos que não foram, e Gustavo Nery, a laranja podre de Nelsinho Baptista. É, a vida do torcedor são-paulino com os seus laterais esquerdos não foi fácil nesta década. Mas o que começou bem, com Fábio Aurélio, se encerrou da mesma forma, com Júnior, o camisa 6 de nossa seleção. A habilidade que faltava a ele nas entrevistas sobrava dentro de campo. Eficiente na defesa e preciso nos cruzamentos, o reforço, que veio do futebol italiano desacreditado, prolongou ao máximo a sua passagem pelo São Paulo e há quem diga que poderia ter seguido por mais tempo no clube. Depois do que mostrou no último Brasileiro, por que não?

Meias

Ainda hoje, me surpreendo pensando no que teria acontecido se a diretoria tivesse renovado o seu contrato para a final da Copa do Brasil de 2000. Nem mesmo o gol que Sandro Hiroshi perdeu debaixo das traves do Morumbi teria feito tanta falta, acredito. Vágner foi a estrela do São Paulo naquele primeiro semestre. Praticava um futebol irreverente, que encantava torcedores e adversários com cada movimento seu. É por isso um dos volantes da seleção, à frente de Hernanes, que certamente pode aguardar pela próxima década – se os Casemiros, Juninhos e Josés Vitor permitirem, claro. Ao seu lado, atua Mineiro, outro que chegou ao clube desacreditado e que, com uma dedicação monstruosa, conquistou o seu espaço.

Na armação, Danilo, ou, para os mais próximos, Zidanilo. Não costumava aparecer. Fazia uma função mais tática – as discussões em torno de seu posicionamento eram intensas: meio-campista ou atacante pela esquerda? Qualquer que tenha sido o resultado, ficou a certeza, com a sua saída, de que ele foi, mesmo que contestado em diversos momentos, um dos pilares do São Paulo em uma de suas fases mais áureas. Não por acaso, tem a honra de acompanhar Raí, o maior ídolo da história do clube, no meio-campo. O último gol marcado pelo jogador, contra o Palmeiras, no Parque Antártica, sintetiza bem o que foi a sua passagem pelo Morumbi. Se com Pablo Forlán o tricolor paulista mudou de estilo e deixou de participar para competir nos campeonatos, com Raí o equipe atingiu um outro nível e dominou o mundo.

Raí e a arte do cabeceio de olhos bem fechados.

Atacantes

Natural de Codó, no Maranhão, França misturava em campo o rap, que costumava embalar o seu caminho até os treinos, com o balé. Alto e forte, parecia se enrolar em suas próprias pernas enquanto conduzia a bola. Mas não era esse o caso. França tinha um estilo próprio. Não aquele com as bandanas e as correntes de prata que apresentava, vez ou outra, em entrevistas. O estilo a que nos referimos é mais particular, porém, não foge à regra dos grandes atacantes: gols, muitos gols. Durante anos, ele reinou praticamente sozinho e foi a principal esperança de dias melhores do clube. Infelizmente, não foi com França, nem mesmo com Luís Fabiano, seu companheiro de ataque, que o São Paulo atingiu a sua melhor fase na década. Ainda assim, não se pode ignorar o papel da dupla na manutenção da torcida tricolor.

Técnico

Levir Culpi e a sua serenidade? A coragem de Vadão com os seus garotos? A parceria entre Rojas e Milton Cruz? Paulo Autuori e a nostalgia que ficou com a sua saída? Muricy Ramalho e o tricampeonato brasileiro? Não, nenhum deles. O treinador do São Paulo na década foi Cuca. Sim, ele mesmo, o responsável pela montagem do grupo que chegou às semifinais da Libertadores de 2004 e que, nos anos seguintes, conquistaria o título mundial e consolidaria o seu domínio no país.

Seleção

Rogério Ceni; Cicinho, Miranda, Diego Lugano e Júnior; Mineiro, Vágner, Danilo e Raí; França e Luís Fabiano. Técnico: Cuca


*Marcus Alves é jornalista e divide seu tempo entre a Revista ESPN, o Olheiros, a Trivela e, ufa!, as mulheres de São Paulo. Mas se for pra definir de forma mais objetiva, tem que ser assim: Marcus Alves é fã das mineiras.

23 Comentários

Arquivado em seleção da década

23 respostas para Seleção da década de 00′s: São Paulo

  1. Raphael Zarko

    fabão, o injustiçado! wágner diniz, o esquecido!

  2. Matias Pinto

    Cadê o Josué? Jorge Wagner? E por Tutatis, o Cuca é o melhor técnico e o Vágn€r foi relacionado.

    Como diria o craque Neto: é BRRRRINCADEIRA!

  3. rafael botafoguense

    também sou fã das mineiras.

    nasci no lugar certo.

  4. zobaran

    Realmente as mineiras merecem um lugar de destaque nessa lista, já o Mineiro…ih, sei não, hein!

    Aliás, faltou lembrar no texto que o Cicinho aprendeu a jogar bola no Botafogo (mentira).

    Acho estranha também a ausência de um certo virgem nesta seleção. Teria o Marcus Alves cometido um crime religioso?

  5. Antonio

    Seleção sem graça, como todos as últimas conquistas do SP.

  6. rafael botafoguense

    mineiro tá na seleção de todos os tempos do sp segundo a placar.

    num respeito um time desse.

  7. Raphael Zarko

    kaká de fora.

  8. Yuri

    marcus alves é da TTI, por isso colocou cacá (antes não era com K, lembra?) de fora

  9. Raphael Zarko

    que eu me lembre e acho difícil estar enganado, desde que surgiu era kaká com k mesmo.

  10. zobaran

    Pois é. Mas está enganado. Kaká era Cacá até que marcou dois gols contra o Botafogo na final do Torneio Rio-São Paulo de 2001 (2001, certo?!). No dia seguinte, com a moral de um então reserva dos juniores do São Paulo* que vira herói do título, ele só fez um pedido: a partir daquele momento queria ser chamado de Kaká, com K.

    Salvo engano.

    * o SP jogava a Copinha e Rio-SP paralelamente e ele foi pro elenco profissional para completar o banco, porque não era imprescindível na garotada.

  11. Yuri

    tempos depois o SPFC vende-o por OITO MILHAS (hahahahhahahhahahahahhahaha) para o Milan, que faria dele o melhor do mundo (hahahahhahaha).

  12. Matias Pinto

    Zobaran,

    Àquela altura do Rio-São Paulo, o tricolor já havia perdido o título para o Roma, atual Grêmio Barueri (ou prudentino?).

    Osvaldo Alvarez, viu futebol no garoto da Renascer e subiu ele, ao lado de Renatinho (seu titular) e Harisson para os profissinais…

  13. Yuri

    Matias Pinto,

    O Roma e o Grêmio Barueri não são o mesmo clube. O Roma foi só uma maneira que o Barueri encontrou para disputar a Copa SP de Juniores. O clube era amador desde 1989, e a partir de 2001 empolgou-se com o sucesso na Copinha e abriu as portas para o futebol profissional.

    Enquanto isso, o “nome” Roma seguiria livre e solto rumo à Apucarana, no Paraná, onde os empresários do clube resolveram ficar e como donos do nome Roma, podiam usar livremente.

    Findo o aluguel por parte do doravante amador Barueri, cada um seguiu seu rumo. O namoro não durou nem 1 ano.

  14. Matias Pinto

    Yuri,

    Mas quando conquistou a Copinha, o Roma e o Barueri eram um só, não?

  15. Raphael Zarko

    pode até ser que esteja enganado, o que não é tão difícil assim. mas quero provas. se não vou dizer que o maradona antes de ser maradona era chamado de aspirina.

  16. zobaran

    “No dia 7 de março de 2001, surgiu para o mundo em um confronto, entre s SPFC x Botafogo, o craque Caca, nessa época ainda se grafava o nome dele com “c”.

    O jogo foi, a segunda partida da final do Torneio Rio-São Paulo, no primeiro jogo o tricolor goleou o Botafogo no Rio por 4×1, com 2 gols de Luis Fabiano, 1 de Carlos Miguel, França Completou o massacre. O jogo foi difícil para o São Paulo, o Botafogo abriu o placar aos 40’ do primeiro tempo, com um gol de Donizeti. No segundo tempo o Botafogo continuou pressionando, até que aos 15 minutos, o técnico Vadão saca Fabiano do time e entra em campo ele Kaká. Com pouco tempo em campo, o garoto, faz dois gols e vira o jogo, garantindo a conquista inédita para o Tricolor.
    O placar mais comum no confronto é o 2×1, em 9 ocasiões.”

    serve como prova?

    http://arquivotricolor.com/confrontos/botafogo-rj.htm

  17. Raphael Zarko

    nem vou clicar no link, mas serve sim. não tenho provas de que o maradona se chamava aspirina…

  18. rafael botafoguense

    vi esse jogo de pijamas,tinha 9 anos,e acreditava na virada do botafogo,ainda mais com o gol do donizeti,meu irmão já tinha largado e foi dormir e eu fique olhando a tv mitsubishi,desejando a morte daquele infeliz estreante com a camisa da arapuã.

  19. Yuri

    naquela época, o SPFC era (frise-se: ERA) um clube de respeito.

    tinha gente como Carlos Miguel, Rogério Pinheiro, Axel… patrocínios com HOMBRIDADE, do naipe de Motorola, Cirio, Arapuã… havia dignidade ali.

    hoje não passa dum aviltador de tradições. dignidade zero. Prova CABAL é que naquela época, o time não era de bambi (pelo menos não conhecido como tal).

    Volta, Cirio. Pelo bem do futebol.

  20. Yuri

    Matias Pinto (aquele que já saiu do ovo – adopte como slogan quando se candidatar a um cargo político),

    Sim, quando conquistou a Copinha, Roma e Barueri eram uma COISA (porque time não era, muito menos clube) só.

    Bizarro esse negócio dos empresários carregarem o nome do Roma por aí… fica tipo franchising (galhardia, teu nome é Yuri) na NBA, NFL… coisa na qual o Barueri/Grêmio/Roma/Prudentino/Abelha deve ter se inspirado para mudar de sede (ou a porca torceu o rabo lá com os HOMI que comandam a cidade).

  21. Yuri

    retificando: NÃO VOLTA, Cirio.

  22. Miguel Tricolor

    Pra mim, muda pouca coisa:

    1- Rogério Ceni

    2- Cicinho
    4- Miranda
    5- Lugano
    6- Júnior

    3- Mineiro
    8- Josué
    10- Raí
    7- Káká

    9- Luís Fabiano
    11- Amoroso

    Técnico: Díficil…mas fico com Cuca, pois realmente, ele foi o responsável pela montagem do time que posteriormente seria o mais vitorioso do país.

  23. SPFCesar

    Cuca tecnico da decada nao da !!! nao foi ele q montou o time…
    foi o Leão q troxe Mineiro, Josué, Danilo, Junior, Luizão.. colocou o Lugano pra jogar e iniciou a sequencia de titulos com o paulistao daquele ano… entregou o time redondo pro Autuori se consagrar…

    Na MINHA opinião tanto o Leão, por ter montado o time, quanto Muricy, pelo Tri-Hexa e coração são paulino foram muito melhores do q o Cuca

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