As revoluções do futebol brasileiro

por Raphael Zarko

“Ato ou efeito de revolver o que estava sereno. Mudança completa; reforma, transformação” (dicionário Michaelis). As definições do início do texto para “revolução” não são minhas e também não são nada originais. A adaptação daqui pra baixo é do Yougol e é uma forma muito particular de ver o futebol.

Minhas primeiras lembranças vêm de 1986, Copa do Mundo que o Brasil perdeu nos pênaltis para a França de Platini. Não esqueço de duas meninas, um pouco mais velhas do que eu, queimando a camisa amarelinha – cena, aliás, impossível de se imaginar quando o assunto é paixão clubística.

Porém passei a ser um tarado pelo esporte bretão, de colecionar revistas, guardar jornais, decorar escalações, ouvir TODOS programas esportivos de rádio, comprar livros, ouvir histórias e discutir futebol com Deus e o mundo, mais ou menos em 1992, no segundo semestre para ser mais exato. Tinha eu meus 10 anos de idade e o Campeonato Carioca seria vencido facilmente pelo Vasco, dentro de São Januário.

Daí pra frente, a olhos nus (ui!) vi algumas coisas que podemos chamar de revoluções no futebol brasileiro. Vou tentar listá-las abaixo, cronologicamente.

Parmalat e o Palmeiras de 1993 e 1994 - Foi o modelo a ser seguido. Depois disso, pelo resultado que deu e pelo lindo futebol jogado, o time bipaulista e bibrasileiro, com Edmundo, Evair, Rivaldo, Edílson, Cafu, Rincón, Veloso, Roberto Carlos e com o técnico Luxemburgo, passou a ser espelho para muitos clubes, que tentaram repetir esse tipo de parceria. Até o próprio Palmeiras buscou algo parecido novamente, mas cito o exemplo do meu Vasco, com o Nations Bank, do Flamengo com a ISL, do Corinthians com o iraniano mafioso, e até do Fluminense com a Unimed. Todos tiveram bons resultados, talvez o Flamengo nem tanto. Mas José Carlos Brunoro, executivo que veio do vôlei, virou papa do gerenciamento esportivo. Se tudo der certo, Rodrigo Caetano da Gama, segue seus passos. E melhor, com parceria de R$ 200 mil com o Habib´s!

Com a assinatura da academia

Kléber Leite e o pool do Romário - Os mais antigos lembram da expressão: “um pool de empresas”. Foi o que arquitetou o ex-radialista Kléber Leite, o Queres Milk, para trazer o maior jogador do mundo na época e, talvez, o melhor depois de Maradona (Ronaldo não é melhor que Romário e ponto. Ronaldinho pode passar).

Era a negociação impossível. O cara tinha acabado de ser eleito o melhor do mundo, tinha seu nome identificado com o Vasco, era rei em Barcelona. Mas era o ano do centenário do Fla, Kléber acabara de ser eleito presidente e queria todo marketing do mundo, todos holofotes na Gávea. Ele conseguiu. Dentro de campo, Romário custou a levar a sério o trabalho. Ficaram famosos naqueles tempos o Viajandão (quiosque da praia da Barra que ele frequentava) e o amigo Zé Colmeia.

Depois de Romário, reservas passaram a ganhar R$ 80 mil

No entanto, a partir daí, o super inflacionamento do futebol brasileiro virou realidade. Amistosos passaram a custar uma grana preta – e , claro, exigiam a presença de Romário. O Fla virou circo (até porque foi jogar em todos cantos do país), colecionou vices campeonatos e contratou estrelas sem fim (lembro agora de Edmundo, Amoroso, Palhinha, Alex, Denílson…). Mas o que o Corinthians fez agora com Ronaldo, e com muito sucesso também (em termos de mídia, movimentação), o Kléber Leite fizera quase 20 anos antes.

O centenário quase perfeito – O Vasco e o vascaíno tem um quê de conservadorismo e tradicionalismo bonito de se ver. Se fala em aumentar o estádio de São Januário, mas ai de quem quiser mexer na capelinha de Nossa Senhora das Vitórias. Se fala em modernizar a camisa, mas tira a faixa diagonal para ver no que dá (apesar de que teremos, sim, um terceiro uniforme…). Enfim, o centenário do clube em 1998 foi um marco no futebol brasileiro, queira ou não. O Vasco se preparou demais para que tudo desse certo. Contratou bem, um ano antes já tinha uma base pronta (com Mauro Galvão, Edmundo e Evair, que saíram para darem lugar a Donizete e Luizão e uma base respeitável com Felipe e Pedrinho, principalmente). Centenário até então era motivo de piada, pelo fracasso flamenguista. E o Gigante da Colina sem dificuldade venceu o Carioca, antecipadamente, e foi campeão da Libertadores, com jogos imortais.

Homenagem aos 10 anos da Libertadores: da esquerda para a direita, Marcio, Vágner, o técnico Antônio Lopes, Luizinho, Mauro Galvão e MAURICINHO.

Mas… no meio do caminho tinha um Nasa, e um Vitor, e um Seedorf, e um Raul… E perdemos a final do Mundial, aquela que seria um desfecho mais do que perfeito para um ano e um tempo maravilhoso. Mas o modelo, capitaneado muito bem por Eurico Miranda (que daqui a 50 anos será lembrado como um malfeitor de respeito, ao melhor estilo do bicheiro e patrono do Bangu, Castor de Andrade), tentou ser repetido por vários clubes. Internacional que o diga, que se deu mal nos 100 anos. O Corinthians agora quer repetir o sucesso. Mas sempre que falam de centenário, de uma possível maldição da comemoração, é necessária a ressalva ao ano de glórias vascaínas.

O Santos de Robinho e Diego - Hoje é moda falar mal de Robinho, como era até semanas atrás de Ronaldinho Gaúcho. Mas em 2002, logo após o Brasil ser penta do mundo, os dois meninos transformaram o Santos. Um time que vinha sem títulos desde 1984 e ganhou de uma hora para outra um Brasileiro, depois outro, títulos paulistas e chegou à final da Libertadores, perdendo para o Boca Juniors de Tevez, Riquelme e Palacio.

Garotada direto da era P.P (pré-pentelho)

Depois disso, o Santos voltou a aparecer forte no cenário nacional, as categorias de base santista ganharam outro patamar (vide participação do Peixe nas Copinhas e os garotos sensacionais Neymar e PH Ganso) e os clubes brasileiros voltaram a dar grande importância para os meninos e as pequenas joias que poderiam ser lapidadas. Para mim, além disso, foi um marco de futebol bonito como há tempos não víamos. Podem reparar que depois de Renato e Paulo Henrique, os volantes do futebol voltaram a tentar jogar bola.

O Inter campeão do mundo - O Inter, vamos falar a verdade, era um time muito do sem vergonha até começo do ano 2000. Lembro que os cariocas iam ao Beira-Rio mais preocupados com os repórteres gaúchos no vestiário do que com o embate em si. Lembro também que o Inter conseguiu aproveitar um Zinho (meia esquerda) que jogou no Vasco e era simplesmente horroroso, além de reserva por aqui. Pouco depois, Dunga salvou os gaúchos de serem rebaixados. Mas, tudo mudou. Com Fernando Carvalho presidente, o Colorado fez um time (não me pergunte como), conquistou milhares de sócios, fez uma base forte que não para de revelar bons jogadores (Nilmar, Daniel Carvalho, Rafael Sóbis, Pato foram os últimos) e furou a fila para ser campeão do mundo. E isso me deixa com MUITA inveja.

Porque Palmeiras, Vasco e Cruzeiro eram os times brasileiros mais obcecados por conquistar aquela bosta. O Inter, quase virgem de competições internacionais, papou o Barça e agora tira até onda de “campeão de tudo”. Ah, e outro sintoma claro de revolução: os times brasileiros vidraram nessa tal campanha de sócios. O Inter virou modelo disso. E é bom que seja, antes que algum hermafrodito diga “não importa sócio, importa título”. Mas quem disse que uma coisa atrapalha a outra?

O tri mole, mole do São Paulo – O time de Telê poderia estar lá em cima, junto com o Palmeiras da Parmalat, mas sempre foi – a meu ver ignorante – um diferencial do time paulista, essa organização, essa coisa toda e tal. Não à toa possuem o maior estádio particular do país, os torcedores compram ingressos através da torneira do banheiro, do tocador de rádio do carro e do chinelo havaianas versão 2009. Mas o tri seguido foi inédito e incontestável, visto que a incompetência alheia só não foi maior que o atropelo em retas finais dos tricolores de Muricy. O São Paulo ficou marcado para sempre como o time a ser batido, o time odiado por ser certinho, chato e papa-tudo (no caso, tudo mesmo…). E ganhou muita torcida, mas da maioria gente que não torce, não vai aos estádios, mas sempre aparece nas pesquisas.

Entre os narizes grandes, és o primeiro

Os demais grandes clubes brasileiros passaram a perceber que tinha alguma coisa a copiar dos caras. Nem que fosse xerocar a folha de pagamento dos árbitros. E em 2009, eles não deixariam o São Paulo ser tetra de jeito nenhum, o que acabou não acontecendo mesmo. Por mais que seja chavão todo início de temporada o time paulista pincela bons e grandes jogadores, acumula outros também muito bons na reserva (que sempre chegam dizendo que “é um sonho estar aqui”) e tem a Libertadores como obrigação.

O atropelo do Timão na Série B – Com a melhor campanha da história da Segunda Divisão, o Corinthians mostrou que a Série B é uma coisa que dá tédio. Claro que isso também não foi tão simples assim. Contrataram forte, tiraram jogadores da primeira para a segunda divisão e trouxeram um técnico em evidente ascensão. O Vasco seguiu o modelo à risca, com Dorival Júnior modelo e semelhança de Mano Menezes, e agora todo grande que cair vai ter que se dar muito bem.

Douglas, o Neto do B

43 Comentários

Arquivado em Conceituando o futebol

43 respostas para As revoluções do futebol brasileiro

  1. Hicks Muse fez parceria com Corinthians e Cruzeiro. Aquela ISL é que fez parceria com o Flamengo (e com o Grêmio tb), mas faliu antes de ganhar títulos importantes.

  2. Raphael Zarko

    Paulo, eu promovi o Brasil a hexa, meu amigo João me corrigiu. Mas você foi preciso, mais ainda. Obrigado!

  3. rafael botafoguense

    essa história de centenário é foda.

    tá.vasco e flamengo foram fundados em 1898 e 1895 respectivamente,porém como regatas,portanto deveriam comemorar o aniversário do remo,não do futebol.

    o botafogo poderia ser canalha e comemorar em 1994 o centenário do clube(pois com a fusão de 42,o clube passou a ser de 1894),mas não só comemorou os da regatas e,deixou pra 2004 a comemoração do futebol.

    sei que isso,pra quem sabe não faz nenhuma diferença.mas um monte de pessoas devem achar que vasco e flamengo são mais antigos que botafogo e fluminense…acho isso escroto.

    nunca tinha pensado nessas paradas de revolução haha,maneiro veí.

  4. Raphael Zarko

    entendo o que você quer dizer, mas o centenário é comemorado pelo clube. e o principal esporte do clube do vasco e do flamengo é o futebol. apesar de que na época em que foram criados não era.

  5. rafael botafoguense

    acho que devia ter um critério,comemorar a data do clube,ou do futebol,pq ai vira zona.

    uma pessoa que vê um botafogo e fluminense ser chamado de clássico vovô,e olha a data de fundação dos outros não entende.

  6. zobaran

    O Botafogo é um caso diferente, pois eram dois clubes. Comemoram o do futebol porque, oras, o futebol é que interessa. Mas bom mesmo vai ser comemorar o centenário em 2042, com o título carioca, continental, mundial e a final do Intergalático, contra os Saturno Rings Boyz, em finalíssima disputada em jogo único na Vênus Arena.

  7. rafael botafoguense

    sei que eram dois,mas se eles se fundiram,a data de fundação do clube passa a ser a mais antiga, não?

    e se o futebol é que importa,vasco e fla deveriam comemorar a partir da data de fundação do departamento de futebol.

  8. Claudio RK

    Alguns pitacos do outro lado da ponte aérea:

    - Brunoro sempre foi um cara supervalorizado. Ele não cuidava da gestão do futebol; as poucas decisões que tomou a respeito nem sempre foram corretas. Ele foi, isso sim, um grande relações-públicas da cogestão. Hoje está envolvido com um projeto de construção de um novo CT para a base do Palmeiras e há meses não consegue a liberação das verbas da Lei de Incentivo Fiscal

    - A meu ver, a parceria Parmalat-Palmeiras foi a mais bem sucedida de todas pelo fato de que foi a única na qual o objetivo do parceiro não era ganhar $ com a bola, e sim com leite. A publicidade que até hoje eles recebem (vide a foto maravilhosa que ilustra esse post, ô time bom) pagou todos os reforços que trouxeram, com sobras – fora a grana das vendas dos jogadores.

    - Romário > Ronaldo >> Ronaldinho

    - Se o centenário do Fla foi ruim, que dirá o do Grêmio. Bom, em SP a primeira experiência é esse ano. E, dói dizer, o Corinthians vem fazendo tudo certo, mesclando populismo e profissionalismo na medida. Podem não ganhar nada, mas não será por mau planejamento. Já combinaram tudo com os russos (epa!)

    - O Santos deu muita sorte naquele título de 2002. Mas o futebol era agradável mesmo, é o que vale.

    - Quanto ao SPFC, aí eu tendo a ser menos racional. A maior parte do texto está correta, mas os ingressos não são vendidos tão facilmente assim (quando o são, é porque a torcida não está indo, o que ocorre quase sempre). E a história do Morumbi é altamente nebulosa, mas aí estou entrando em terreno propício para o nível baixar, melhor não me alongar. Ingresso pela internet? Eles começaram depois de Figueirense (o pioneiro), Palmeiras, e acho que do Botafogo também.

    - Agora, revolução mesmo deveria ser a de 2014. Essa, porém, acho que será muito menor do que poderia.

  9. Raphael Zarko

    Minhas quase réplicas.

    Não tenho argumentos para dizer se Brunoro foi ou não supervalorizado, mas acredito no que você diz. Aliás, acho que o time que tinha Djalminha, o dos 100 gols de 96, talvez seja mais espetacular até.

    Não sei se sabe, mas a Unimed saiu de plano de saúde desconhecido a concorrente séria dos grandes, como Amil e Golden Cross. Lembro que no dia da final da Libertadores, a coluna do Ancelmo Góis aqui no Globo do Rio apresentou uns números impressionantes (se conseguir recuperar isso, acrescento depois). Mas o retorno para o patrocinador foi incrível. Para o time, também. Bem ou mal, o Flu montou equipes razoáveis para boas, chegou em duas finais sulamericanas e foi campeão da Copa do Brasil.

    Ronaldo não tem muito mais a apresentar, acredito que Ronaldinho sim. E se for tão espetacular quanto pode ser, pode passar os dois. Na MINHA opinião. É tão genial quanto Romário, mas é mais espetacular. E, de longe, melhor que Messi.

    Na verdade, a brincadeira quanto à coisa da “facilidade para comprar ingresso” do São Paulo é que eles têm restaurante-camarote dentro do Morumbi, têm cadeiras reservadas a clientes Visa, entre outras coisas que sempre aparecem.

    Se puder, me fale sobre a história nebulosa do Morumbi. Só ouvi coisas do tipo por alto.

    Abraços

  10. Yuri

    “Se puder, me fale sobre a história nebulosa do Morumbi.”

    OOOOPPPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

    Vai lá, Claudião!!! Mete bronca que se precisar, eu ainda complemento… mwahauhaahahuah (risada maléfica).

    No mais, o negócio é que um clube que tem ACADEMIA, com PERSONAL-TREM e bagulho de AERÓBICA/FITNESS dentro do estádio, é, definitivamente, o Maior do Brasil. Não há como competir.

  11. Yuri

    Para mim, revolução foram duas:

    -pontos-corridos, algo que vai afectar (c eterno) os clubes forever de maneira antes não-imaginada;

    -ITUANO FUTEBOL CLUB (b-mudo eterno), primeiro clube que eu vi colocar patrocínio na bunda, depois virou moda

  12. Yuri

    de estádio eu entendo.

  13. Raphael Zarko

    fui ver como andava o blog do juca depois de uns dias sem ler e achei isso. o texto é da folha, de 1995.

    Parmalat X Parmalat

    O blogueiro está em férias.

    Mas deixa alguns capítulos do livro “Por que não desisto”, lançado pela Editora Disal, neste ano, e organizado pelo jornalista Márcio Kroehn, autor dos pequenos comentários (em vermelho) que apresentam os artigos do blogueiro.

    Parmalat X Parmalat

    Palmeiras e Juventude foram os primeiros clubes que receberam o apoio administrativo de uma mesma empresa. Nesse jogo de interesses, os times se enfrentam e surge uma dúvida ética no ar.

    Responda rápido: você tem uma empresa que patrocina dois clubes que vão se enfrentar. Um, se vencer, estará classificado para as semifinais do Campeonato Brasileiro, expondo sua marca no momento principal. O outro está apenas fazendo figuração.

    Qual seria sua decisão: influencia para que o time que pode se classificar vença ou prefere mostrar que sua empresa é tão ética que não haverá influência nenhuma?

    Qualquer que seja a sua resposta – e 99% da humanidade, infelizmente, ficaria com a primeira opção –, o jogo de hoje em Caxias do Sul (RS), entre Palmeiras e Juventude, não lançará um novo produto Parmalat no mercado, a marmelada.

    É óbvio que a CBF devia ter atendido aos apelos que surgiram tão logo a tabela foi anunciada e mudado o jogo para uma data menos delicada.

    Mas imaginar a CBF preocupada com a ética é exagerar do direito de ser ingênuo.

    Seja como for, a possibilidade da marmelada não existe, por mais que todas as condições estejam dadas. O Juventude tem como técnico alguém como Émerson Leão, figura histórica da vida palmeirense. Tem diversos jogadores que estavam no Parque Antártica até outro dia mesmo. Tem a Parmalat.

    Só que esses mesmos elementos garantem a lisura do jogo. Ou você acha que Leão se prestaria a tal serviço sabendo que, além de estar cometendo um crime que seu passado não autoriza, imediatamente fecharia as portas do Palmeiras para ele? Ou você contrataria para trabalhar na sua empresa alguém capaz de tamanha desonestidade?

    E quem teria coragem de propor isso a Leão, que ele orientasse seus jogadores para amolecer? Mais: esses jogadores têm uma chance enorme de provar seu valor e de, quem sabe, ganhar uma nova chance no Palmeiras.

    De mais a mais, certo tipo de falcatrua, que envolva muita gente, sempre acaba aparecendo. Alguém com a língua nos dentes, por vingança ou por qualquer outro motivo.

    Foi assim, por exemplo, quando se desconfiou que o Peru entregara o jogo para a Argentina na Copa do Mundo de 1978. Demorou, mas apareceram os depoimentos de peruanos contando a patifaria. Acabou de acontecer no futebol francês, com amargas conseqüências para o Olympique de Marselha.

    E se você está surpreso porque supunha que aqui encontraria exatamente o raciocínio inverso, fique tranqüilo: as grandes trapaças do futebol são feitas com mais sutileza, não são tão óbvias. Mesmo que sua empresa desejasse.

    (Publicado na “Folha de S.Paulo” de 08/10/1995)

  14. rafael botafoguense

    aaaaaaaaahhhhhhhh quero saber qual é o novo patrocínio do botafogo porraaaa,só ficam dando dicas…tem um milhão de marcas de eletrodomésticos…to escutando a radio globo e um cara boiola com uma voz de bicha,fica torrando o saco.

    bem que podia ser o eike batista com 1 bilhão de pilas,daí o zarko teria que editar o texto,colocando as 5 libertadores seguidas que o botafogo ganhou.

  15. Yuri

    bah, rafael, o negócio é NÃO TER PATROCÍNIO, né?? Muito mais fodão, tipo o Racing.

    o corinthians vai ter um negócio GENÉRICO, sei lá, na camisa… porra, seria melhor SUVINIL, dá licença.

  16. Yuri

    patrocínio: ou tem um folclórico, ou nem põe.

    se for para ganhar dinheiro, coloca logo um GOOGLE na camisa e já era.

  17. rafael botafoguense

    é mais maneiro mas o time fica mó pobre,só se fizer uma campanha que nem essa do racing club.Mas tem uns patrocínios que ficam legais na camisa,por isso quero saber.

  18. Claudio RK

    Vamos lá (ao estádio ainda não…):

    - O time de 96 era mais “espetaculoso” sim, jogava muito rápido. Mas o de 94 era muito mais técnico, matava lentamente os rivais. Um timaço.

    (pausa para lágrimas de saudade)

    - A Unimed é um bom estudo de caso. Até onde sei, a ideia inicial também não era ganhar grana com o futebol em si, certo? Retorno publicitário é uma coisa, gerenciamento de clube é outra. E a primeira é muito menos arriscada.

    - O que encheram o saco antes do jogo que o Rafael citou… “esquema Parmalat”, sei. Tomamos na tarraqueta em Caxias.

    - O Morumbi. Bom, mesmo os são-paulinos admitem que o SPFC tentou tomar o estádio do Palestra Itália em 1942 e não conseguiram. Logo depois compraram o Canindé, que revenderam para a Lusa em meados dos anos 50. Aí, graças a Laudo Natel, político e conselheiro tricolor, conseguiram a doação do terreno para erguer a casa própria. E, na década de 60, quando Natel foi vice e depois governador, foi tocada a construção. Muito se diz que ao menos boa parte do dinheiro usado era público, o que obviamente não posso (alguém pode?) afirmar. Mas os rivais até hoje chamam o estádio de Natelzão. Se o Yuri quiser avançar, fique à vontade, eu paro por aqui.

  19. Yuri

    “compraram o Canindé” é eufemismo demais.

    mas nem quero continuar, esse assunto é muito SUJO e eu tô na pax actualmente, não tô a fim de ficar com querelas.

    só digo que se bota o Adhemar de Barros (governador alinhado com Natel), cara que fundou o Jd.Leonor (nome da esposa), com o Natel, que além de politiqueiro era conselheiro, meio difícil não terem usado grana pública para construir aquilo tudo. ainda mais vindo de um homem que já chegou a pousar de helicóptero do meio de um jogo decisivo, mais de 30 anos ANTES de Eurico Miranda.

  20. Claudio

    Uma curiosidade que isso me lembrou, mas que nada tem a ver com a construção do estádio: vocês sabiam que o SPFC teve um goleiro que depois foi governador do Estado? Trata-se de José Maria Marin.

  21. Yuri

    mas falando em SPFC, faço aqui uma retificação:

    NÃO VOLTA, Cirio.

  22. Yuri

    dessa eu não sabia. mas fontes internetísticas relatam que ele não era goleiro.

    claudio, vc vai no Juventude x CFZ? Tô na dúvida aqui… ir ou não ir.

  23. zobaran

    Só li o post agora. Os comentários também (alto nível).

    Muito bom o tema, apesar de não concordar com tudo. O Vasco de 98 não é tão “case de sucesso”. O case é o Vasco de 2000, com Romário e Edmundo, além de um time completo de craques. No final, levou o Brasileiro e a Mercosul, mas perdeu o Mundial. De qualquer forma, aquela virada, o logo do SBT, a conjuntura e tals fazem daquele time inesquecível.

    O São Paulo do Telê também tinha que estar lá. Eu era muleque e, apesar de já botafoguense convicto, achava o time simpático e comprava iogurte para assistir o Mundial Interclubes na madruga boladona.

    Acho que esse post vira uma série, mas vou parar de falar agora e conversar contigo ao vivo para ver o que rola.

    Yuri…existe algo mais folclórico do que a Seven Up? Tenho um texto meio pronto sobre isso que fiz na época da faculdade. Vou procurar e publico.

    abs

  24. Yuri

    lembrei da Seven Up hoje. É um patrocínio de responsa.

    Mas GALERIA PAGÉ do Palmeiras foi mais folclórico… sem contar o SPFC, que foi campeão brasileiro com NUGGET na camisa.

    O Guarani, que usou LIZ… o Corinthians COFAP, Inter com APLUB, Grêmio com IRONCRYL… hahaha, antigamente tinha muita chinelagem no patrocínio.

    quando tu publicares o texto podemos ir mais fundo nesse assunto.

  25. Yuri

    o atlético paranense tinha um patrocínio folclórico na década de 80, esqueci qual…

    como pude esquecer… SANYO, do Coritiba… sensacional. uma vez vi um cara com a camisa da SANYO, lindíssima.

    bom, agora só tô esperando os royalties caírem no bolso, depois de tanta propaganda.

  26. Yuri

    disseram que em 2012 o corinthians será dono de sua própria camisa, como o Barcelona.

    acho mais fácil o mundo acabar, mas tenho um fio de esperança… só não vai colocar WWF igual ao Santos, que é coisa de hippie e loirinha libertária.

    nem UNICEF, igual o Barça, que é coisa do Didi Mocó. Tosco.

  27. rafael botafoguense

    patrocínio irado era o da coca-cola,não era underground,mas ficava mó bonito na camisa de qualquer time,da seven up tenho um monte de paradinha…original,falsa,short…meu primo tinha uma do vágner raridade pura! mas ai sumiu…

    já meu irmão tinha uma do cruzeiro da ENERGIL C,daí ele se livrou dela depois que perdemos de 4a1 pro cruzeiro em 2005(o jogo foi anulado depois hahaha).

  28. Antonio

    Também tem o Criciúma patrocinado por CECRISA e CERÂMICAS ELIANE, o Botafogo com a 3B-Rio, e o Flu com a MTV (acho que alguém já falou por aqui), clássicas tbem.

  29. Raphael Zarko

    bom, bebi um pouco e vou replicar o que li por alto. o vasco de 2000 nao tem nada a ver com o de 1998. achei q a palavra revolucao fosse autoexplicativa. o vasco de 200 meio q repetiu o cruzeiro de sei la quando q contratou bebeto, donizete e gonçalves. nao entendi ainda a falta de culhao para explicar ou ao menos linkar a história real do morumbi.

    é verdade q o sao paulo de tele era um time a se torcer, mas pela milionésima vez explico: NINGUÉM DEIXOU DE TORCER PELO TELE ANTES, NEM PELO SP IA DEIXAR, pq o cara era lenda e continua sendo, ainda bem.

    prestem atençao no q é diferente e o q é marco momentâneo ou regional. agora ha pouco, num bar, me cobraram nao ter colocado o tri vice do vasco.
    é regional e ponto.

  30. rafael botafoguense

    num tem ninguém no engenhão.

    vergonhoso vasco.

  31. Raphael Zarko

    PQ REALMENTE EM JOGOS DO BOTAFOGO ESTA SEMPRE LOTADO. DEIXA DE FALAR MERDA E VAI DORMIR. MUDARAM AS REGRAS PARA COMPRAR INGRESSO. TO DANDO PAPO DEMAIS. VAI DORMIR. REPITO!

  32. rafael botafoguense

    fui irônico.

    mais é assim que a imprensa faz quando o botafogo joga lá,é obrigado a lotar até jogo-treino senão é “enchenão”,”vazião” e os caralho,o pior que isso já virou verdade,podemos lotar 15 jogos que continuará sendo assim.

  33. rafael botafoguense

    torcida que xinga ídolo.

    tenha pena do vasco.

    aahaaha

  34. Claudio

    Yuri, puxei de memória a história do Marin, está no Almanaque do Campeonato Paulista; gozado, estava certo que era goleiro.

    Agora, quanto a Juventude x CFZ. Você pergunta no dia 20 se eu vou a um jogo no dia 19? Eita!

  35. Raphael Zarko

    “xinga ídolo”? você não entende nada de vasco. se preocupe com o foguinho lotador de estádios.

  36. zobaran

    RB, só o Zarko pode falar do Vasco, cara. Relaxa…

    Sobre a mudança de regras da venda de ingresso, não se aplica no Engenhão. Portanto não é desculpa, mas é aceitável o estádio vazio ontem, assim como vai estar hoje (18h30 na quinta. Qual é a próxima, jogo de madruga de segunda pra terça?).

  37. entao no engenhao nao tem essa coisa de NAO vender ingresso 3 horas antes do jogo? sei nao, acho q tem algum complicador, pq ontem assisti o jogo aberto, aquele programa de altíssimo nível com gerson canhotinha de ouro, mauro leao e gilson ricardo. o último começou o programa ironizando que as tais regras eram para fazer torcedor ficar em casa. enfim, pretendia ir ao jogo ontem, mas essa coisa confusa me fez ver em casa mesmo. e do vasco, DEIXA COMIGO MESMO.

  38. rafael botafoguense

    o zarko perde a linha facilmente hhahaha…

    romário é ídolo sim.

    e sacanearam ele ontem.

  39. Raphael Zarko

    o romário é ídolo, mas sempre que pôde rejeitou o vasco, como se ignorasse tudo que o clube fez por ele (o tal projeto 1000 gols foi o principal ingrediente para nossa queda).

    sei que ele não rejeita exatamente, posso e pretendo até explicar melhor isso um dia. o edmundo mesmo não se cansa de dizer que o romário ganhou mais títulos e etc do que ele, mas é amado pelos vascaínos porque ele sempre nos representou em campo. até ignoramos que ele passou pelo fla e ofendeu os próprios vascaínos no maraca.

    mas nada disso apaga o que foi romário no vasco. sempre digo que não me importo se ele é flamengo, américa ou qualquer merda, mas que ele foi campeão brasileiro só pelo vasco, foi artilheiro do brasileiro só pelo vasco e fez a maior parte da história dele pelo vasco.

    se ele quis ser babaca e agradar aos flamenguistas e a imprensa flamenguista, o problema é dele. por isso que ele é ofendido.

    mas a estátua dele está lá. embora eu conheça vários vascaínos, e você também deve conhecer outros, que não querem aquela homenagem a ele.

    por já imaginar o que era, disse que você não entendia de vasco…ou ao menos fingiu não entender o porquê das ofensas.

    no mais, sou da paz – quase sempre!

  40. rafael botafoguense

    ai é que tá.o romário já vacilou,mas o edmundo também.

    todo vascaino que conheço curte o romário.mas sei que isso é coisa da fjv,só to enchendo o saco hahahaha…

  41. Raphael Zarko

    quando a FJV perturbava com isso, era um saco mesmo e eu – e os torcedores de verdade (o que muitas vezes os caras da FJV não são) – era contra.

    mas isso não tem a ver com essa birra, não. é um pouco disso que expliquei.

  42. O papo rendeu hein!?
    O Zarko bêbado levantando polêmica é demais!

    Conta aquela sua sobre o Kaká e o Zico…

    abs

  43. Raphael Zarko

    Essa do Zico quase me rendeu a um linchamento, mas sustento o que disse (sem deformação do que disse): não é um absurdo a comparação entre Kaká e Zico.

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