O mal do Império do Amor…

por Raphael Zarko

Enfim, sós. Foi o que pensou Vágner Lovely ao ir ao encontro da torcida rubro-negra (perdeu hífen na reforma? Bom, os flamenguistas nem sabem o que é isso, não vão me recriminar), após marcar seu primeiro gol contra o Bangu na tarde de ontem no Engenhão. No estádio, 14 mil pessoas, o mesmo número que teve em São Januário na abertura, e mais do que teve no Maracanã no feriado carioca de São Sebastião.

O que isso quer dizer? Nada, se pensarmos que em Campos 151 pessoas pagaram para assistir à primeira vitória do América de Bebeto e Romário, contra o Macaé. Mas Vágner Lovely e Adriano e Bebeto e Romário têm tudo a ver com o que vou falar a partir de agora. Vou falar, não, camarada, vou provar por A + B! Duplas que dão certo têm que ter um charme, um quê de mistério, um complemento.

A dupla do tetra

Bebeto é baiano, mirradinho e discreto. Romário, carioca da Vila da Penha, parrudinho e marrento. Em campo, um tinha uma facilidade enorme para dribles secos tanto quanto longos, o outro era especialista em fazer gols, seja de primeira, dominou-chutou ou com dribles curtos. Quer melhor imagem do que aquela do gol contra a Holanda em que Bebeto domina de lado do pé, olha para a área, e encontra Romário flanando, como num balé, com aquele chute certeiro à la Daniel San? É simplesmente a tradução da melhor dupla dos últimos tempos da nossa história.

O 9 e 0 10

Cresci ouvindo falar muito das tabelas de Pelé e Coutinho. Parecidos apenas na fisionomia (dizem que em jogos fora do Brasil o 9 santista usava uma atadura branca no punho para que locutores e público soubessem quem era quem). Fizeram 1.461 gols, em 12 anos de parceria. E por quê deu tão certo? O Yougol responde: porque Antonio Wilson Viera Honório (o Coutinho) não dava entrevista dizendo que o Coutinho era uma coisa e o Antonio outra, entende? E também porque ele nasceu em 11 de junho de 1943 em Piracicaba (SP). Não em Três Corações (MG). Coutinho, poucos sabem, jogou no Bangu e até no Bonsucesso do Rio. Pelé, não, preferiu se consagrar mundialmente escolhendo o clube carioca mais mais mais. (Fonte info Coutinho: sites Milton Neves, Gazeta e Santos).

O Casal 20

Com essa alcunha, essa dupla de ataque só poderia pertencer ou ao São Paulo ou ao Fluminense. E se apostou ou lembrou que é do tricolor carioca, você acertou, bofe! Mas a verdade é que Washington e Assis se destacaram por vários feitos. Pelo tri carioca, pela reedição da máquina tricolor, pelo trio que formavam com Romerito, pelo único título brasileiro do Flu e, claro, por sempre serem carrascos do Flamengo.

Washington nasceu em Valença, na Bahia, já Assis (ou Benedito de Assis Silva) é paulista. E todo mundo que mora em São Paulo ou passou um dia em Sampa sabe que os paulistas são preconceituosos com os baianos, principalmente no volante. (Como se o Rubinho falasse ordinário). Mas foi justamente por isso, por características tão distintas que eles se completaram. E o Casal 20 moderno, de Paulo Rink e Oséas, também originário do Atlético-PR, só reforça essa coisa de gente diferente que dá certo. Ou você já imaginou Oséas se naturalizando alemão?

O velho e o moço

Talvez na história nenhuma dupla defenda tanto a minha tese quanto Edmundo e Evair. Os dois são praticamente o Mel Gibson e o Danny Glover de “Máquina Mortífera”. Edmundo é o rebelde, o jogador mais Joselito do nosso esporte nacional desde Almir Pernambuquinho ou Rebecca (dois “c” é doping até no nome) Gusmão. Evair quando surgiu para o futebol já era velho e já lembrava o que é hoje: um fazendeiro (dizem que passa o tempo treinando times em Goiás, mas você acredita que ele se importa mais com atletas ou com bois?). Mas aquela cara de velho era pura enganação. O cara era o terror. Já Edmundo era o terror em tudo que é canto, como é de conhecimento público, criminal e judicial. Fato é que as torcidas de Palmeiras (um pouco mais) e do Vasco agradecem até hoje aquela coisa de pele (ui!) absurda.

Os rejeitados

Esse exemplo de agora, para quem olhar assim, de sopetão, pode derrubar minha pauta, como gostam de dizer alguns editores por redações países adentro e afora. Os dois eram rejeitados, os dois pertenciam a grandes clubes cariocas, mas as semelhanças param por aí. (Arílson) Paulo Nunes (ex-Flamengo) e (Mário) Jardel (ex-Vasco) fizeram miséria no Grêmio. Sabe-se lá como, chegaram na final do mundial contra o Ajax, e só não ganharam porque aí seria demais também, porra! Mas um nasceu em Pontalina (GO) e outro em Fortaleza (CE). Um era baixinho e se destacava pelos cabelos altamente boiolas (no tempo em que trancinhas ainda eram coisa do futuro…) e o outro pela cabeça avantajada, que lhe rendeu gols incríveis de cabeça. Bom, na despedida de Danrlei, há uma prova cabal dessa dupla estranha que deu certo.

(Vamos aos finalmentes)

O Império do Amor

Vágner Lovely no momento Ricky

Mas agora vamos ao exemplo que NÃO VAI DAR CERTO. Vágner Lovely e Adriano constam na lista da Veja dos 10 +. Os 10+ mulherengos do futebol. Olha só quantas semelhanças: os dois se dizem torcedores do Flamengo, o que não é, antes de tudo, original, mas para os dois chegarem ao objetivo atual pararam de jogar futebol. Adriano, quando ainda estava na Itália, e Lovely, em São Paulo, há pouco tempo atrás. E com um nome tão bonitinho desse, o Império do Amor, ninguém pode dar certo. Não dentro de campo.

Resumindo todo esse tralálá, a única dupla que deu certo na história da humanidade que tinha características parecidas está na imagem abaixo. O resto, é historinha…

Melhores que Batman e Robin

12 Comentários

Arquivado em Conceituando o futebol

12 respostas para O mal do Império do Amor…

  1. zobaran

    Porra…eu tava preparando na minha mente um comentário genial sobre o ESQUECIMENTO do Paulo Nunes. o Diabo Louro, e Jardel, até que você se antecipou e lembrou de tão folclórica combinação.

    Uma que não me esquecerei tão cedo é Túlio e Donizete. Simplesmente foderástico.

    Em breve, escreveremos capítulos de felicidade do Casal 30, Herrera (17) e El Loco (13).

    É ver pra crer.

  2. perspicácia é meu codinome. mas já aguardo os comentários do tipo “você esqueceu de leo lima e souza nas categorias de base do madureira!”

  3. Raphael Zarko

    As pessoas que veem futebol precisam entender uma coisa: o Dodô é um jogador de outro tempo. Um j0gador do passado. E isso é elogio. 3 a 0 é o poder! (ainda no primeiro tempo…)

  4. Yuri

    teria sido melhor ir ver o pelé… opa! mas ele tá aí!! hahahaha…

    dou uma MARIOLA para quem acertar que jogo foi aquele do segundo vídeo (o do pelé).

    mas vem cá, zarko: Seu Barriga e Nhonho também merecem menção como dupla semelhante que deu certo.

    sem falar no duo Tripa Seca e Quase-Nada, o Romário-Edmundo dos seriados televisivos.

  5. Yuri

    putz… não tinha visto o resultado ainda.

    raphael deu uma sorte INACREDITÁVEL. Aquele post, acredito eu, foi o CHAMARIZ de toda essa POROROCA de gols.

  6. Raphael Zarko

    QUE OFENSA FALAR EM SORTE.

    tenha vergonha, menino. pq os botafoguenses já a perderam há muito.

  7. João Deiró

    Raphael, como leitor do BláBláGol e torcedor rubro-negro, me sinto naturalmente repudiado por estas bandas, mas gostaria de deixar registrado que, à luz dos resultados da última rodada, aguardo ansiosamente seus comentários sobre o futuro do Casal 30 (obrigado, zobaran), bem como do time do Botafogo. Sou só eu ou todo o otimismo que rondava Gal. Severiano era deveras exagerado? A meu ver, o time deste ano é inferior ao dos últimos 3/4 anos… Abs!

  8. Raphael Zarko

    João, lendo aqui, parece que sou um vascaíno extremamente parcial, mas não sou. Pode, se tiver paciência, ler textos sobre o Fla antigos. Reconheço e admito quando tem time bom e disse, com muita antecedência que as chances de serem campeões eram fortes (no Brasileiro). Digo isso há três anos e morria de medo disso. Agora, brinco muito e provoco mesmo, porque GRAÇAS a Nossa Senhora das Vitórias, sou vascaíno.

    Mas pode acreditar que vale a pena ler a opinião sincera e responsável de um vascaíno, mesmo que seja pura provocação, o que é igual ao DNA do futebol.

    Abraços.

  9. falou falou e não disse nada… disse que provaria por A + B mas não foi isso que aconteceu…

  10. Raphael Zarko

    porra, quer tudo mastigado… quer que eu desenhe?

  11. zobaran

    Ih………Olha lá o que João Deiró disse: “como leitor do BláBláGol e torcedor rubro-negro”. Ó o cara aí…ainda bem que eu não leio o BláBláGol e sou botafoguense.

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