Desperdício Futebol Clube

por Raphael Zarko

Quem nunca jogou pelada com um cara que era o cão chupando manga? Que você, ainda mais quando era moleque, perguntava se era possível que o peladeiro não virasse jogador de futebol. Não tenho o menor estudo ou teoria sobre isso (ainda), mas creio que alguns desses realmente viraram profissionais. E viraram uns daqueles profissionais que todo mundo sabe que joga muita, mas muita bola, mas que não rende na carreira 30% da capacidade.

Os exemplos não faltam e esse texto surgiu não por causa da volta de Adriano (modelo crasso de má relação de produtividade e equilíbrio entre talento e noçãozisse), mas através de uma brincadeira sobre o futebol do Felipe. Não tenho dúvidas em afirmar que o ex-lateral esquerdo, ex-volante, ex-atacante e, para muitos, ex-jogador em atividade e que deu férias aos pés, seria titular da seleção brasileira durante anos se apenas o talento estivesse em questão. Mas não. Quando apareceu no Vasco, era reserva do Bill, esse mesmo que fez um golaço pelo Macaé contra o Vasco.

No Mundial, em 1998, teve uma das atuações mais soberbas que vi. Ali, tenho que ser justo, o que fez a diferença foi a deficiência eterna no chute de Felipe. Ou seria falta de vontade em corrigir, falta de treino? Ou pura e simplesmente falta de talento em outro recurso, que não o drible e o passe? Enfim, são outras questões.

Quando pedi ajuda a alguns amigos sobre o tema, para que lembrassem de jogadores impressionantes que nunca jogaram uma Copa, nunca foram titulares absolutos ou que as pessoas sempre lembram com restrições (“ic… esse jogava muito, mas…ic… deixa eu dar mais um gole…ic…”) em detrimento do brilhante futebol, chegaram alguns exemplos bem óbvios, mas também alguns curiosos. Vamos às categorias que fiz e aos nomes.

1- Morte:

Categoria meio cruel, mas para um vascaíno ou um torcedor da Portuguesa é impossível não lembrar de Denner. O estilo dele eu nunca mais vi igual. O drible era com ginga, sem gracejos, sem pedaladas. O cara era tão bom que provocou aquela reação inesquecível do Maradona no jogo Vasco e Newells Old Boys. Dizem que tem coisas que só acontecem ao Botafogo, mas depois de Dirceu (que estava aposentado), Jorginho Carvoeiro (autor do gol do título brasileiro do Vasco em 1974, morreu meses depois de leucemia e que deixou viúva a futura viúva do Garrincha, a Wanderléia – toc toc toc), Denner, ainda perdemos Clébson, um lateral direito muito bom que saiu do Bahia e foi campeão brasileiro e da Mercosul pelo Vasco, em 2000.

Acréscimo sobre Geraldo, ex-Flamengo, que morreu aos 22 anos. Aspas para o amigo Alexandre Matos:

Geraldo era o melhor amigo do Zico na época das categorias de base. Jogava muito, fazia parte das seleções com o Zico. Meia armador clássico, marcava, passava, driblava e chutava bem. Quem viu jogar, mesmo os não flamenguistas, dizem que era fenômeno. Pena que não vi.

Uma história ficou famosa: ele e o Zico gostavam de brincar depois do treino. Ia um pra cada lateral e lançavam a bola na cabeça do outro, sem deixar cair no chão. Se aproximavam fazendo isso até grudar a bola entre as cabeças de ambos. Nunca deixavam cair.

Geraldo estava sendo preparado pra ser o craque da geração que acabou campeã mundial. Um dia a delegação foi pra uma excursão no Nordeste (acho que em Maceió). Geraldo ia, mas acabou ficando pra fazer uma cirurgia de amídala. Era um procedimento simples, então ninguém se preocupou. Ele foi acompanhado do roupeiro, se não me engano. Entrou na sala de cirurgia e nunca mais voltou. O elenco retornou pro Rio na mesma hora.

2- Falta de vontade e/ou preguiça:

Eis um tema complexo, mas o mais preguiçoso que sempre me vem à cabeça é Dodô. São poucos os que conseguem se parecer com Romário no domínio de bola, na conclusão perfeita e o ex-atacante do Botafogo, que é um dos maiores artilheiros da história do São Paulo e acabou de ser dispensado na Portuguesa, tinha isso –  esqueça o Dodô do Vasco e da Lusa, preguiçoso e velho, porque aí também já é demais. A indolência de Dodô a carreira inteira era de dar raiva, um desperdício absoluto. Nessa categoria vamos incluir então Roger, ex-Flu, hoje no Cruzeiro, Jonatas, ex-Fla, contribuição de um amigo, um dos defensores da comparação o “Zidane da Gávea”.

Nessa mesma categoria, de falta de vontade e/ou preguiça, muitas vezes há a misturam com a marra. Nessa vale a histórica frase de Jonatas: “P!*@ não marca, p$*@ joga”. Ah, nessa “arte” também se destacam Djair e o Palhinha, ex-São Paulo, Cruzeiro e Fla (consta que passou pela Gávea).

3- Marra:

No entanto, a marra merece uma categoria especial. Djalminha vem em primeiríssimo lugar por aqui. As brincadeiras que Ronaldinho Gaúcho (ainda não parou, mas se esforça para se enquadrar na segunda categoria) faz para as câmeras em treinos, o filho do também craque Djalma Dias gostava de fazer em jogos. Nunca esqueço um lance dele num Palmeiras e Corinthians. Djalminha fintou com a perna direita e ficou parado, quando o cara veio ele deu DE LETRA entre as pernas do corintiano, quando o Pacaembu foi abaixo. Ovinho – ou caneta, como queira – mais humilhante que aquele talvez só o do Riquelme, pelo Boca contra o River Plate. Ah, o hoje empresário de Showbol também jogou uma vaga certa na Copa no lixo com aquela cabeçada no técnico do La Coruña…

Um outro que vi brincar por aqui e não tem sequer reconhecimento, nem é lembrado em papos de botequim é Vágner, que jogou no São Paulo, no Santos, mas vi de perto no meu Vasco (lembra na pilha que ele botou no Argel naquela final que o Vasco foi campeão em cima do Santos no Rio-SP? Disse pra ele fechar as pernas e… Argel não fechou). Foi para a Espanha, deu aquela sumida, fez as merdinhas dele (no início do Youtube ele dá uma porrada bizarra no cara…), mas nunca chegou a ser levado a sério na seleção brasileira. Outro exemplo forte nessa seara é o de Carlos Alberto, que aos 25 anos, definitivamente, está em fim de carreira. Não é craque, mas, há uns seis anos era muito bom jogador.

4- Ingerenciamento de carreira:

Não gosto desse vocabulário novo no futebol, como já deixei claro no ABC do futebol moderno, mas não consegui definir de outra forma esse item da minha listinha (o Lédio Carmona adora o termo “gerenciamento de carreira”, é uma coisa meio RH, mas tem lá sua verdade).

Como entender, a não ser a falta de ambição e noção para escolher melhor seu destino e suas companhias (calma, não cheguei no Adriano ainda…), por que Françoaldo Sena de Souza, o França, ex-São Paulo, jogou apenas no Bayer Leverkusen e está no Japão há quase dez anos, já em fim de carreira? Não sei se há explicação, mas eu lamento.

Como lamentei também quando Bismarck saiu do Vasco novinho, lá pelos 20 anos após o bicampeonato de 1993, e só voltou – depois de uma vida na terra do sol nascente – em estado deplorável ao Fluminense. Durou pouco e outro dia o vi correndo, barrigudinho, na Lagoa. Só não o passei, porque minha gerência física também não está no melhor nível. Lembraram-me também do Arílson, ex-Grêmio, outro que não era craque, mas era bom jogador. Trocou qualquer chance na seleção brasileira com Zagallo (logo o mais ufanista…) por um agrado ao clube alemão que defendia. Em miúdos: deu uma zérrobertizada sem ser um Zé Roberto, que era o Elano da época dele.

5- Foquinhas desamestradas:

Dos que conseguiram me responder, um nome foi unânime: Denílson. Hoje virou sinônimo de foquinha, de cara descomprometido com o resultado etc e tal. Mas o atual “comentarista” da Band era f&^$#@, jogava o fino, nunca chutou bem, é verdade, mas era um garçom (outra expressãozinha que odeio no futebol atual) sem igual quando saiu do São Paulo para o Bétis, na maior transação do futebol brasileiro até… até… Bom, são duas da manhã, não vou pesquisar isso agora. Outro que virou piada, mas que quando fez um golaço pelo Flu contra o Cruzeiro foi logo logo reverenciado é o menino Lenny, que virou até mesmo queridinho do Luxemburgo – antes do atual técnico do Flamengo dizer que ele era criado pela avó, entre outras figuras de linguagem luxemburguianas (“Joel se faz de coveiro pra pegar o morto”), mas hoje, sinceramente, nem sei por onde anda.

6- Contusão:

Não sei qual sua idade, mas meu pai sempre falou muito do Rei. Reinaldo do Galo deve ter jogado demais. Porque todo mundo que viu diz que ele era melhor que Romário, melhor que Zico, que Careca, que Ronaldo. Bom, impressionante, sem dúvida, é fazer 28 gols em 18 jogos, como ele fez numa edição de Brasileiro. Claro que é mais fácil dizer que “porra, peguei três, vocês viram duas gatas, mas a outra, meu irmão, era uma deusa, melhor que as duas juntas…”, mas há de se respeitar e entender que o cara devia ser gênio mesmo.

Pois bem, Reinaldo parou cedo demais, assim como Van Basten, que também é endeusado, mas se f%&* de tantas formas que teve pouco tempo de auge. Sávio vale na lista? Creio que sim, também jogou muito – quase sempre as boas fases dele eram contra o Vasco. Um amigo tricolor também me lembrou de Luiz Henrique, vulgo canela de vidro, e Pedrinho, que, se não era craque, podia ser um grande jogador de clube, mas o carrinho naquele Vasco e Cruzeiro foi determinante na carreira.

7- Cachaça, Merdas e Crimes:

Os motivos para os “quase” gênios do futebol são muitos. Para não me alongar demais (estou caindo na categoria 2 do meu texto…) vou reunir Beto Cachaça, um dos melhores “volantes  que sabem atacar” que já vi (poderia ser o Rincón brasileiro), Válber, o Vágner da categoria 3, com Telê Santana e muitos quilos a mais, assim como a capacidade de jogar bem também na zaga ou de líbero, Lopes Tigrão, que o palmeirense do site e do Twitter da galera do IPE elegeu entre os melhores da década passada no Palmeiras, Adriano, claro, Edmundo, óbvio, Jóbson, é evidente, além do mais sem carinho pela carreira e pela vida, o ex-goleiro do Flamengo Bruno, um monstro debaixo das traves.

Valber está atrás do Valdeir. E ele nem tinha jogado no Morumbi ainda...

Depois de um texto imenso, agora releia os nomes em negrito e compare com jogadores normais que tiveram sucesso incomum, na comparação com esses do Desperdício Futebol Clube. Vou citar alguns brasileiros como Cafu, Márcio Santos, Elano, Luis Fabiano, Donizete, Luizão, Cesar Sampaio, Gilberto Silva. Todos bons jogadores, sem dúvida, mas que, a meu ver, não tinham metade do talento do grupo de desmiolados acima – exceto, claro, os que morreram ou se machucaram. Mas sobrou TESÃO, uma das coisas mais importantes da vida. Bom para eles, azar dos outros.

37 Comentários

Arquivado em Conceituando o futebol

37 respostas para Desperdício Futebol Clube

  1. Paulo Sanchotene

    Hrm, hrm hrmmmm!!!

    O Dener jogou no GRÊMIO. Ficou 3 meses, o suficiente para ser o melhor jogador do campeão gaúcho e vice-campeão da Copa do Brasil em 1993.

  2. Paulo Sanchotene

    E sobre o Arílson, ele chegou na Alemanha como herói. Se consagraria no Kaiserslautern se não tivesse uma outra crise histérica e voltado para o Brasil. Arílson é muito burro, e se destruiu com drogas. Se tivesse ficado na Alemanha, e se tornado o profissional que nunca foi, poderia ter feito uma excelente carreira.

  3. Raphael Zarko

    sei que ele jogou no gremio e que veio pro vasco ja negociado para a alemanha. mas nao sabia que tinha sido campeao. ignorei o gremio sem maldade. :-)

  4. Muito bom… tem tanto nome pra lembrar aí e muitos casos acabam entrando em mais de uma categoria.

    Teve um cara que eu achei que jogava muita bola. Nunca para ser craque, mas que dava tranquilamente para ter uma carreira tranquila de bom jogador aqui no Brasil. É o Rodrigo, que, mais tarde, no Corinthians, virou Rodrigo Beckham. Tinha um canhão e sabia jogar bola, mas foi para a Inglaterra e se quebrou todo por lá.

  5. Como citar as foquinhas e se esquecer do Foquinha’s-Master-Terror-do-Coelho? O Kerlon?

    E Bernardo (esse que joga no Vaxxxxxxco) vai seguindo pelo caminho da marra.

  6. Raphael Zarko

    nao citei o kerlon, pq nunca soube se ele jogava bola mesmo ou se só fazia gracejos. mas ele reapareceu esses dias aí.

  7. jforni

    Ótimo texto, Zarko. Um dos melhores do Yougol. Acho que a grande maioria vai concordar com os nomes citados.

    Aí, Zoba – tinha comentado com o Zarko do Rodrigo também.

    Sei que na categoria de “Ingerenciamento de carreira” ainda faltou o Alex (meio campo – ex-Internacional) e o Keirrison que estaria numa espécie de ” O que deu nesse fdp!!??”. Ambos ainda tem lenha p/ queimar, mas precisam acordar p/ vida.

    Abs.

  8. Pô, o cara era bola, mas só queria saber de farrear e fazer aquilo lá.

    Tem um que, pra mim, é gênio, mas é o cara mais preguiçoso que já vi jogar com a Azul. Guilherme, campeão da Copinha e que jogou muito em 2007/2008 pelo Cruzeiro.

    Mas só jogava quando queria e/ou contra o Galo.

  9. Matheus, acho que poderia ter incluido também no seu exemplo o Wagner.

    Sobre a categoria “ingerenciamento de carreira”, acho que podemos incluir todos os jovens jogadores que resolvem ir para a Russia ou qualquer uma das outras nações adjacentes. Maicon, Douglas Costa, Alex Teixeira, Alex (ex-inter), Giuliano, etc…

  10. Wagner é pipoqueiro.

    Já dizia meu pai: “Guarde as minhas palavras, meu filho. Enquanto o Wagner for camisa 10 de algum time, adeus título.”

  11. rafael botafoguense

    Rodrigo era fera demais. tava vendo uns vídeos daquela época… Só patada!!! Ele,Túlio e Dodô nunca deveriam ter saído do Botafogo. A camisa caiu bem neles.
    no da contusão cabe o Felipe Tigrão do Botafogo,baita atacante. Mas azarado que só a porra.

    esse Dirceu aí é o maior artilheiro do Botafogo em libertadores,cracaço pouco falado. Olha o golaço contra o Colo-Colo . Morreu atropelado por uns guris que faziam racha.

    Geraldo Assoviador é mito! texto foda sobre ele

  12. Lenny está no Figueirense, mas, como vive lesionado, ainda não estreou.

  13. Raphael Zarko

    RB, o Dirceu, que me lembre, não morreu em acidente de carro, com ele dirigindo na Barra da Tijuca, no Rio? Que eu me lembre, era isso. Nem conferi, dei Google nada, porque era uma coisa certa pra mim.

  14. rafael botafoguense

    http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_interna.php?id=610&sessao=f

    é,bateram no carro dele. Nós dois erramos. Mas foi racha.

  15. Lembro de um drible de letra que o filho da puta do Jorginho Paulista deu num zagueiro do Marília bem debaixo do meu nariz, enquanto me esguelava no Caio Martins acompanhando o Botafogo pela série B.

    Nunca entendi como a carreira desse cara não deslanchou, tamanha facilidade que jogava bola.

  16. Raphael Zarko

    pensei no jorginho paulista, jogou muito em 2000, foi para o boca, depois botafogo e voltou ao vasco um bagaço. pena, porque jogava muito. não entrou na minha lista porque depois iam dizer que botei muito jogador do vasco…rs.

  17. Dois exemplos para o quesito “preguiça/falta de vontade”:

    Havia um meia esquerda que jogou no Fluminense em 2005 chamado Juninho. Bom de bola, mas displicente de dar raiva. Outro bom exemplo do Flu, só que atual: Um garoto chamado Raphael Augusto. Bom de bola, mas desligaaaado…

    Já no quesito marra, como esquecer do Diego Souza?

  18. Claudinei, volante revelado pelo América (o -MG), poderia ter sido ttular da seleção brasileira nas duas últimas Copas do Mundo, mas viveu cheio de problemas disciplinares e de saúde. Tinha crises de epilepsia basicamente porque se “esquecia” de tomar os remédios. Não tinha habilitação, mas duas ou três vezes bateu o carro nas marugadas de BH. Faltava a treinos porque preferia passar o dia na casinha de dois cômodos dos pais na roça, em Mário Campos, cidadezinha próxima a BH. Era titular do Cruzeiro no primeiro semestre de 2003, mas foi dispensado pelo Luxemburgo quando não apareceu no embarque do time pra um jogo fora – era aquele timaço do Alex, Deivid e Aristizábal, que fez até o Wendell conseguir uma vaguinha no futebol europeu. Foi emprestado pra um time sueco, e três meses depois apareceu no CT do América sem avisar ninguém – ficou com saudade, pegou o primeiro avião de volta e deixou uma conta de telefone de 5 mil euros pendurada no hotel. Acabou assassinado no final de 2003, saindo de uma boate em Contagem.

  19. Esse Juninho do Flu começou no Galo. Não era craque, mas sabia jogar. Parece que quebrou a perna quando estava no Flu, depois voltou jogando mal, e sumiu. Lembrei de outro destaque da categoria “preguiça”: Tucho, revelação do América em 2001, passou pelo Atlético, depois sumiu e hoje é um conformado reserva do Villa Nova.

  20. Ei! Como é que eu poderia esquecer? Também se enquadra na opção 2 o Diguinho do Fluminense.

  21. Tiago Leite

    Ótimo texto, Zarko. Bons comentários também. Que desperdício o Denner, o vídeo é irado. Abs

  22. Outro que poderia entrar em mais de uma lista aí é o Rodrigo Fabri. Jogou muita bola no Brasileiro de 1996 pela Lusa. Quando veio pro Flamengo, pensei que nossos problemas estavam resolvidos. Que nada… Voltou a jogar bem no Figueirense, depois. Ou seja, camisa de time grande pesava nele.

    Sobre o Válber, é um dos casos mais curiosos que eu lembro. Não sei se o Zarko esqueceu, mas além de ter sido titular da seleção brasileira jogando de zagueiro (mesmo nanico) e ter jogado muito como volante (posição ideal dele, na minha opinião), o Válber foi Bola de Prata no Brasileiro de 1992 jogando de LATERAL-ESQUERDO (!!!) no Botafogo. Jogou muito naquele campeonato.

  23. Outro maluco que nunca estourou era o Adaílton, atacante do Juventude que passou pelo Palmeiras e foi pra Europa.

    Esse moleque metia gol a rodo. Teve um mundial de juniores que o Brasil meteu 10 em dois jogos seguidos, acho que contra a Coreia e Bélgica. Esse cidadão fez um caminhão de gols, mas jogava quase sozinho naquele time.

    E falando de mundial de juniores, eis o tri de 1993, recheado de craque do Desperdício FC:

    Dupla Gian/Yan, do Matsubara-PR que acabou (literalmente) no Vasco.

    Fabio Noronha, goleiro que era titular da sub-17 e reserva do Dida na sub-20. Entregou a carreira por causa de carreiras, mas era um goleiraço. Pegou um pênalti numa final de sul-americano contra a Argentina no pé da trave no último minuto de jogo.

    Tinha também o zagueiro do Flamengo, Gélson Baresi. Pelo apelido percebe-se que esperavam muito dele. Meteu um gol importante contra o Vasco como profissional. É o máximo que eu lembro dele fora do showbol.

    Mas o pior caso daquela geração era o Adriano, o camisa 10 do Guarani. O moleque era um cracaço na sub-17. Perdeu o mundial de 1991 pra Gana que tinha até pai de família no elenco. Ele fez um gol antológico, se não me engano contra a Alemanha. Jogou muito em 93, liderou o tricampeonato sub-20 do Brasil e foi o craque do campeonato (já tinha sido do mundial juvenil de 91). Mas tinha problemas sérios com a balança e nunca se firmou.

  24. Zarko,

    Falando em camisa 10 do Guarani, como a gente esquece do Amoroso?!?!

  25. Putz, meu xará deu uma aula agora de talentos desperdiçados. Realmente, como esquecer de Yan, Adriano e o Gelson (que depois que foi pro Cruzeiro, sumiu). Mas o lance do Gian foi bem bizarro. Dia desses ví uma reportagem do EE que dizia que ele foi preso (não lembro o motivo da prisão) . Chegou a disputar os campeonatos da prisão e tudo.

  26. Tiago Leite

    Bem lembrado o Adriano camisa 10, Alexandre. O moleque naquele Mundial de juniores foi um monstro. Ficava impressionado. Depois de rodar ele até jogou no Botafogo, mas claro que foi mal. Outro que teve caminho semelhante foi Assis (irmao do R. Gaucho). Surgiu como uma joia rara no Gremio. Ganhou até casa, em que o pai morreu na piscina se não me engano. Rodou lá fora e depois foi aquela coisa triste no Vasco.

  27. Oswaldo Zarko

    Muito bom o texto! Acho que há realmente um grande espaço para que o tal “gerenciamento de carreira”, bem estilo RH, seja aprimorado no Brasil, evitando tantos talentos em vão, mas mesmo aqueles que não serão craques, mas “apenas” excelentes jogadores, tenham uma boa e duradoura carreira. Mercado há, e não acredito que esteja sendo bem explorado pelos empresários do futebol.

  28. Dilascio

    Muito bom o post. Alguns nomes para incrementar a lista:

    Brener (ex-atacante do Vasco) – categoria 4: Foi artilheiro em todas as categorias de base do Vasco, ganhou todos os títulos possíveis enquanto amador, tendo atuações espetaculares (quem acompanhava as partidas preliminares de juniores dos clássicos dos anos 90 sabe o que eu estou dizendo) subiu para o profissional tendo ótimas atuações mesmo com um físico de Neymar depois da gripe e, de repente, começou a rodar por clubes pequenos até sumir de vez.

    Valber (ex-meia do Corinthians, Palmeiras e Vasco) – categoria 3: Revelação do Mogi Mirim, foi contratado pelo Corinthians com status de craque em 1993. Chegou ao Parque São Jorge arrebentando, foi convocado algumas vezes pela seleção do Parreira, transferiu-se para o Palmeiras, onde a marra ofuscou seu talento (chegou a cair na porrada com o volante Dinho, do Grêmio, em um confronto da Libertadores de 1995). Teve passagem razoável pelo Vasco em 1996, até sumir de vez. Para ter noção do potencial desse jogador, o Rivaldo foi contratado como coadjuvante dele no pacotão de reforços que o Corinthians trouxe de Mogi, em 1993. Tanto é que o Valber ganhou a 10 do Timão e o Rivaldo a 11.

    Fábio Simplício (volante) – categoria 4: Esse cara quando jogava no São Paulo era considerado o melhor volante em atividade no futebol brasileiro, até transferir-se para a Europa para atuar em equipes não tão de ponta. O futebol dele já não é o mesmo de oito anos atrás e uma guinada na carreira a essa altura da vida seria surpresa.

    Maicon Librelato (ex-atacante) – categoria 1: Habilidoso, com grande poder de finalização, arrebentou no Inter, quando chegou do futebol catarinense em 2002. Naquele ano fez o gol que salvou o Colorado do rebaixamento do Brasileiro, contra o Paysandu, em Belém. Era da mesma geração do Nilmar, que, então, com 18 anos, era seu reserva imediato. Morreu em um acidente de carro. Se estivesse vivo, poderia ter participado de uma das mais gloriosas eras do Colorado, que começaria no ano seguinte.

  29. Tentei categorizar o Iranildo Chuchu e fiquei entre a 2 e a 4.
    Não consegui chegar à conclusão…

  30. E ainda tem o Leandro Ávila na categoria 6. Jogava muita bola e ra um cara aparentemente muito correto.

  31. Dilascio

    Já ia esquecendo de um que não pode faltar nessa lista:

    Diego (meia do Wolfsburg) – categoria 3: Sempre foi o melhor jogador na base do Santos, na mesma equipe do Robinho. Viveu dias de glória em seus primeiros anos como profissional, sendo o destaque da equipe conhecida como Meninos da Vila, que tinha também o Elano e o zagueiro Alex. Teve uma boa fase na Juventus, em uma época em que ainda era convocado constantemente para a Seleção, até entrar em declínio devido à sua soberba e inconstância. Para você ver o desperdício, é só comparar a carreira dele com a do Robinho.

  32. Mas Dilascio, fica estranha a comparação entre a carreira do Robinho e do Diego porque a própria carreira do Robinho é um grande disperdício…

  33. Raphael Zarko

    Minhas observações sobre tantos bons comentários será decrescente.
    1 – sempre achei Robinho melhor que Diego. Hoje, ainda acho, embora Robinho esteja jogando bem no Milan, o filme do cara queimou muito mais pela marra, aquela coisa de querer ser melhor do mundo por imposição, não com futebol;
    2 – Leandro Ávila teve seus bons momentos, não vejo desperdício.;
    3 – Brener me foi sugerido pelo Zoba, mas no profissional ele jogou muito pouco. Difícil cravar que seria craque. O Valber ainda ia citar, mas era realmente muito preguiçoso. O tal do Maicon nunca ouvi falar, mas é uma ótima lembrança;
    4 – O Adriano, ex-Guarani, é realmente um caso clássico. Eu lembro desse gol dele contra a Alemanha.

  34. O Fábio Simplício tá na Roma agora, e dizem que vem jogando bem.

    Fábio Noronha é goleiro do América de Teófilo Otoni pela segunda temporada seguida.

    Adriano Gerlin fez algum sucesso entre Náutico e Sport, entre 1998 e 2000, e foi um reserva importante no Galo vice-campeão brasileiro de 99. Depois foi dono/jogador do Oeste Paulista EC, de Presidente Prudente.

    Gélson Baresi também estava no Galo de 1999, mas jogou mal por aqui. Lembro dele no Paraná Clube, naquele ano que tinham Caio, Marquinhos e Renaldo, acho que 2003.

    E na wikipedia descobri que Yan se aposentou ano passado, defendendo o Votoraty/SP, e o Gian ainda joga no Independente-PA. Jardel, o interminável, também estava no sub-20 de 93 e faz figuraçção no Rio Negro de Manaus – ele ao menos jogou bola de verdade por alguns anos antes de se tornar um talento desperdiçado, categoria 7.

    Ainda daquela seleção de juniores de 93, temos alguns técnicos: ARGÉLICO FUCKS, no Botafogo de Ribeirão, MARCELINHO PAULISTA no Sendas-RJ, e CATÊ que treinou o Itinga-MA em 2008, e depois disso não teve mais sua página da wikipedia atualizada.

  35. Raphael Zarko

    yan é auxiliar do fernando diniz num time do interior paulista. é outro que estuda para ser técnico.
    uma amiga lembrou de dagoberto, que para mim se encaixa na marra.

  36. Syllas Sucesso de Souza

    Pô! Tenho uma camisa do Inter autografada pelo Maicon Librelato, na final do SUL- MINAS, que o Inter foi campeão. O cara era bom de bola, da mesma turma do Nilmar

  37. Rudi

    O Inter teve um alemãozinho que destruiu num mundial de juniores, Murilo, que teve problema com o gerenciamento das suas carreiras… dizem que cheirava até no vestiário, foi pra china e depois sumiu
    Teve os gêmeos diego e diogo, que não sei onde estão e nem o pq não deram certo, mas eram eternas promessas

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s