A Copa do Botafogo

por Eduardo Zobaran

O Rio nunca viveu tão intensamente uma pré-Libertadores. E quando eu digo pré-Libertadores, não digo esses joguinhos mata-mata que rolam entre o final de janeiro e o início de fevereiro para decidir os últimos integrantes da fase de grupos da Libertadores. Refiro-me ao período do esquenta, quando o repique chama a caixa, o surdo e o tamborim para o ziriguidum, quando a turma se reúne para tomar uns bons drinks antes da night, quando o casal começa… bem, você já entendeu.

E como eu ia dizendo, o Rio nunca viveu tão intensamente uma pré-Libertadores. É um tal de “bora fechar uma tripzinha prum jogo da Liberta em Buenos Aires?”. Outro tal de “pô, se passar para a segunda fase, fecho certo”. E todos esses papos dos torcedores que prometem e quase nunca cumprem viajar com seus times pela América do Sul. Afinal de contas, tirando o ex-goleiro em atividade Fábio Costa, todo mundo tem que trabalhar.

Mas é só nesse terceiro parágrafo que venho realmente introduzir minha ideia. É que enquanto os torcedores de Flamengo, Fluminense e Vasco (menos a Luiza, que está no Canadá) estão num vibe bolivariana, ouvindo Mercedes Sosa, mascando coca e discutindo Carlos Gardel, o botafoguense está tomando uma cachaça, dançando “Ai se eu te pego” e discutindo BBB num boteco sujo em que afoga suas mágoas. Passa mais uma, Manel, que hoje a prova é do líder e eu estou imune!

Nunca antes na história do Carioca alguém entrou com tanta responsabilidade de comprar aquela faixa porpurinada meia-boca de campeão e partir para o Baixo Gávea. Esse é o discurso do bullying que os botafoguenses têm enfrentado, mas precisam ficar bem atentos para não caírem na cilada. Esqueçam o Estadual, a verdadeira missão do Botafogo é a Copa do Brasil (como diz a famosa musiquinha).

Para vencê-la vai ser muito importante ter um time consistente, que saiba passar sem sustos pelos pequenos, que consiga domar os adversários fora de casa e que, no Engenhão, não deixe dúvidas sobre quem está em casa. Mais do que isso, vai precisar vencer o mais recente de seus traumas. Esqueça chororô, tri-vice e rebaixamento. O que ainda faz o torcedor do Botafogo estalar os dedos com sangue nos olhos é aquela Copa do Brasil de 99.

Maldito Juventude, lembram os botafoguenses, que mantém ainda hoje a crença de que aquele título teria feito os últimos anos do Botafogo bem menos nebulosos. Balela. É bem verdade que o Gílson Nunes não merecia a simpatia dos torcedores e que o Márcio Rezende de Freitas, sempre ele, anulou dois gols do Botafogo em Caxias do Sul (nem vou discutir se foram legais), mas o Botafogo não podia decolar com aquela escalação: Wagner, César Prates, Bandoch [“O Bandoch é mau / Pega um, pega geral / Ooooi!], Jorge Luiz e Fábio Augusto (Leandro Eugênio); Reidner, Júnior, Caio [esse] (Rodrigo) e Sérgio Manoel; Bebeto (Felipe) e Zé Carlos.

Um 0 a 0 no último jogo com mais de 100 mil torcedores na história do Maracanã – e isso ninguém mais tira – é a frustração maior de uma geração que viu alguma coisa aqui e outra acolá, mas que tem tido mais alívios do que comemorações nos últimos anos. A Copa do Brasil é um título que Flamengo, Fluminense e Vasco, os três representantes do Rio na Libertadores, já levaram para casa. Estou quase falando que é o torneio mais importante do primeiro semestre para um clube carioca… Mas só quase.

2 Comentários

Arquivado em Conceituando o futebol

2 respostas para A Copa do Botafogo

  1. O botafoguense é o único carioca que está cagando se sua operadora terá a Fox Sports

  2. Pingback: Assunto pertinente aos não-botafoguenses ou não-flamenguistas do Rio de Janeiro

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