O futebol na ponte aérea

por Gabriel Gil*
Após três anos morando na terra da garoa, voltei de vez para a cidade maravilhosa. E se fosse para eu escrever um texto que comparasse o jeito paulista (ou paulistano para os que ficam corrigindo, mas eu não vou ficar chamando paulista de paulistano porque sou carioca e pra carioca só existe o termo paulista. Foi mal, truta) de torcer com o jeito carioca, ele seria mais ou menos assim.

Sabe como no Rio você encontra o cara na rua, dá uma zoadinha, recebe uma zoadinha, todo mundo ri e aí a vida segue? Lá em Sampa às vezes é melhor ter mais cuidado, porque (nunca achei que ia usar essa expressão que conheci em Sampa) tem uns caras da pá virada (isso significa lelé da cuca pra você que é carioca ou de outra região sã). E você nunca sabe com quem tá se metendo. Por isso a menos que você já conheça quem você quer zoar ou esteja dentro de um carro em uma rua com todos os sinais verdes, prefira ficar pianinho.

Em SP, a galera não dá bandeira. É, isso vale também pros são-paulinos. É muito muito estranho entrar no estádio e não ver uma pessoa balançando pra lá e pra cá uma bandeira na torcida. Eu sei o que você deve estar pensando, é um saco quando você tá lá na arquibancada e passa aquela porra de bandeira na tua frente e você perde um lance. Mas vai por mim, é um saco ainda maior não ver nenhuma bandeira na torcida. E tudo isso por causa da violência das organizadas há uns anos atrás. Tsc tsc tsc.

O São Paulo tem o Morumbi e pode receber os clássicos. O Vasco tem São Januário mas não pode receber. Ó vida cruel. De qualquer forma, na questão de estádios, São Paulo está bastante à frente do Rio. O panetone, digo, Morumbi, recebe os jogos muito bem, obrigado. E o Pacaembu tem uma ótima localização pra qualquer um que for assistir jogo lá, seja corinthiano, palmeirense ou santista. Infelizmente não consegui ir ao Palestra Itália antes dele ser fechado para as obras da futura Arena Itália, mas de longe sempre me pareceu um bom lugar. Também não fui à Vila Belmiro, mas enfim. Se considerarmos que no Rio temos São Januário, Maracanã e Engenhão e aí às vezes tem que levar jogo pra Volta Redonda ou Macaé, os paulistas ganham nessa. Sim, eu sei que de vez em quando tem jogo na Arena Barueri, mas é só até a arena ficar pronta. Em SP, teoricamente, os quatro grandes podem jogar no mesmo dia (Vila, Pacaembu, Morumbi, Palestra). Já no Rio…

Bares são um caso à parte. A mesma violência que rola nos estádios também pode te pegar em um dos bares, até porque sempre rolam umas concentrações especificas. E aí é um tal de xinga pra lá, xinga pra cá, e se segure pra que não chegue às vias de fato. Falando assim parece meio exagerado, mas vai por mim, nem é tanto exagero assim. Enquanto aqui no Rio você assiste o jogo ao lado do seu rival numa boa, lá as coisas podem ficar difíceis.

Os jogos que fui foram todos do Vasco, então acabei não pegando os clássicos locais. Mas quando se trata daquela rivalidade pré-jogo e das sacanagens no dia seguinte, pode crer que pelo menos nesse sentido São Paulo e o Rio de Janeiro são cidades irmãs.

*Gabriel é publicitário, vascaíno e tuíteiro: @gabrielgilfake
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