Aviso – tardio, mas nem tanto – de mudança de endereço do Yougol

Se você vinha aqui há alguns dias, meses e até alguns anos, pode ter ficado triste com a falta de novos textos de Eduardo Zobaran e Raphael Zarko. Mas é que mudamos de endereço e nem repassamos aos senhores uma nova casa. Quem nos aceitou antes do Carlos Alberto conseguir novo clube foi a Trivela. Então, acessa lá: http://trivela.uol.com.br/blog/yougol/

Para você que já sabia disso, desculpe, é que esquecemos de deixar um texto permanente aqui com esse recado. Um dia, se não nos quiserem mais lá, voltamos a ficar só aqui. Então, como diria Daniela Mercury, “não, não me abandone”.

 

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Vasco à moda antiga na Libertadores

por Raphael Zarko

O Vasco entra em campo esta noite confiando na máxima do Internacional: é possível ser campeão com Alecsandro no time. Mais: é possível ser campeão da Libertadores com Alecsandro no ataque.

Vou parar de implicar, porque se existe o mal necessário, Alecgol é o ruim útil – e vem melhor esse ínicio de ano do que estava no fim do ano passado. Claro que se hoje, com 10 minutos, ele tiver dado três caneladas, a torcida vai pedir Tenorio, o atacante Demolidor que jogou duas Copas do Mundo, que todos só viram pelo Youtube, mas que tem um papel fundamental nesse time: vai ser o cara da vez que vai colocar Alecsandro no banco.

Ele faz parte de uma engrenagem à moda antiga que apareceu meio de repente em São Januário. Um time com um goleiro (Prass) que já tem anos de clube, um zagueiro (Dedé) ídolo, jovem e cobiçado por grandes do futebol mudial, dois veteranos, um (Felipe) ainda pura técnica, nem tanto físico, outro mais físico (Juninho) e alguma técnica.

Diego Souza é o irregular mais parecido com Edmundo que o Vasco tem desde Edmundo. Bernardo, o garoto enxaqueca, chega perto, quando faz unzinho de falta e chora no meio do treino. Na lateral-direita, Fagner tem nome de cantor de MPB, mas é fã de música eletrônica e tem tatuagens muito loucas.

Certo que são muitos desfalques: Romulo, Eder Luis, Fagner, que está suspenso contra o Nacional, e Allan. Em campo, tem Nilton, um bom jogador, porém, comprometido com as tragédias futebolísticas, e Thiago Feltri, que vai jogar de verdade a primeira vez hoje. Vamos ver se vai encarar a torcida no cangote, com a responsabilidade diferente das partidas do Carioca.

Sem concentração, o time joga por ele e pelo fim das webcams no confinamento, pela liberdade das novas gerações e pela falta de saco de boa parte do elenco, todos burros velhos (não estou falando de atacante!), de ficarem trancados com marmanjos, sem curtir um “Amor e Sexo” na TV.

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Concurso para quem já está (ou não) de saco cheio das pérolas do Papai Joel

- Ai me beque!

por Raphael Zarko*

Dear amigos do Three Candle,Se o futebol é um box of surprises, os trocadilhos são muitas vezes repetitivos. Lembra quando o Vágner Love foi contratado pelo Flamengo em 2010? (Diz que sim, vai!) O Yougol fez uma campanha para saber qual era o melhor trocadilho para a contratação do atacante. Se você pensou “Só Love, só Love”, pede para defecar e sai. Quem ganhoufoi o mito Rafael Botafoguense (recordar é viver, foi com o trocadilho “PET ADAMS, O AMOR É CONTAGIOSO”), que hoje deve estar se lamentando pelos gols perdidos do ídolo Loco.
À época, o Yougoldeu uma toda-toda camisa do Bangu para o vencedor. Dessa vez, no entanto. O prêmio será muito melhor: o nosso congratulations. Claro que, além disso, nós podemos também proporcionar a você, carioca, e você, turista, um encontro com o homenageado desse texto.
E ele é Joel Santana, que inspirou nossa imaginação para saber o que rolar já já na coletiva de imprensa do anúncio do Papai no Rubro-negro. Joel é aquele treinador que incorpora a figura do malando carioca: tem atitudes de filho da puta como qualquer outro mortal, mas te faz rir e assim é perdoado. Ou, ao menos, aturado.

É que nem aquele flanelinha do lugar onde você para o carro. Você pergunta com aquele ar de inocência: “Você vai ficar aí, né?”. Ele, com dois dentes, responde: “É claro, chefia, eu nunca iria te abandonar”. Mas é só passar um novo carro para o rapazinho sair correndo para buscar outra graninha. Quando você volta, o cara está lá, na cara de pau, fazendo suas gracinhas e você releva.

E é isso que o Yougol quer saber. Quais serão as gracinhas e pérolas do Papai Joel nessa segunda-feira, na sexta passagem dele pelo Flamengo.

Tema: Apresentação

“Quem não conhece Joel Santana? Já fui na Academia de Letras, já virei funk, o funk do ‘papai chegou’, já fui para a África, para Bangu, vim de Olaria. Papai é globalizado. Tem gente que insiste em falar que sou folclórico. Tudo bem, folclore é cultura.”

Tema: Rei do Rio

“Aqui eu mando mais que prefeito e governador. Tem o Maracanã, a Sapucaí, Cristo, Copacabana, aquele teatro lá (Municipal) e Papai Joel. Sou cartão postal do Rio”

Tema: Ronaldinho

“Olha só, papai vai dizer uma coisa: Flamengo é Flamengo, Ronaldinho é Ronaldinho e todo mundo é papai.”

Tema: Contratações

“Só porque falei em império já teve gente dizendo que quero o Adriano. Não é assim. Senão, em dia de chuva vão dizer que quero o Torózinho de volta.”

Tema: Dispensas

“Soube que tinha um Jael. Pedi logo para ele ir embora, porque não quero concorrência. Depois iam dizer que era meu filho e papai já fechou a fábrica. Iti ix impósibol.”

Tema: Local de treinamento

“Não quero Ninho, não. Meu time não é leite, vamos voltar para Gávea. Ali, papai toma café, pão com média, do lado da casa do papai.”

Tema: Relação com Patrícia Amorim
“Ela é minha presidenta. Quem não gosta de mulher? As mulheres que mandam. Não vê a Dilma, a menina lá da Argentina, aquela Madonna, essas meninas abusadinhas? O que ela falar, eu obedeço. Vai ser o papai no campo e a mamãe lá fora.”

Tema: Instrução em que língua

“Comigo é pode to be, pode to vai, pode marcar, pode pegar. O importante é que o papai tem que ser escutado all time. E time é money.”

“Tem um argentino aí que não vai dar para falar inglês com ele. Mas ele que vai ter falar na língua do papai. Mas é tudo igual, falo um ‘pero que si ali, um pero que no para lá’”

Tema: Atraso salarial

“Se o salário está late ou não, o papo vai ser comigo. Inside das quatro linhas, só vai entrar quem mostrar vontade para o papai.”

Tema: Novos comerciais

“Papai virou estrela, eu sei. Quem sabe não faço um novo, mas agora para aquela coisa do tijolinho do Flamengo. Ia ficar bacana, imagina: ‘Papai quer completar casinha’. Aí aparecia eu, o Gaúcho, a garotada toda. O que papai faz vende, meu filho”

Os comentários com as novas sugestões podem chegar as mãos de Joel Santana. Se ele citar uma de suas frases, o leitor do Yougol vai ter o prazer de conhecer o treinador qualquer dia desses. É mais fácil do que piada de Joel em coletiva.

*Colaborou Eduardo Zobaran.

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É de Moça Bonita, de Potosí e de pipoca que o povo gosta

por Raphael Zarko*
Nada mais sonso do que fingir que não está secando no futebol. Não interessa o adversário. E, aí é que está a coisa toda, quanto pior, melhor. Claro que é mais difícil você ser feliz com a desgraça rubro-negra quando o Real Potosí é o rival e tem um jogador a menos quando precisa de um golzinho para a secada violenta. Mas o que vale é o espírito de porco esportivo.O jogo em Moça Bonita era bom? Não, de bom apenas o clima nostálgico, as lembranças de um passado que vários jovens torcedores e profissionais ali não conheceram. As faixas lembravam: “Os Castores”, “Nada tememos, somos banguenses” e “1960”. Por que 1960?Por que somos assim? Torcemos para que nossos amigos se ferrem para a gente mandar aquela mensagem de celular com poucas palavras e muita sacanagem: “Chupa”, dizem os paulistas, “chupa”, dizem uns cariocas, “créu”, dizem outros, e “se fudeu”, resumem grosseira e sinceramente um torcedor que vê TV e quer mais que essa minha frase rime.O Flamengo começou o jogo massacrando. Não olhava para a TV – até porque dou sorte quando seco o Flamengo -, mas sabia que Botinelli, Ronaldinho e Léo Moura, o verdadeiro R10 desse time, criavam chances contra o modestamente poderoso Toposí, time de infância daquele cantor francês que nunca mais ouvi falar.

E para quem nunca tinha ouvido falar que o Campeonato Carioca era o mais charmoso do Brasil, encontrei nas mesmas cadeiras quentes do estádio Proletário Paulinho Mocidade (dublê de Michael Keaton, do grito “a hora é essaaaaa” e vascaíno) e Fernando Prass com o filho. Finalmente, Prass não estava em campo. E nem assim ele largou o futebol.

Larguei de mão a secação quando já estava em casa, após aniquilar seis almondêgas e dois frangos à milanesa e muito antes do Vanderlei Luxemburgo negar que esteja de saída do Flamengo. Luxa não reclamou das notícias. Foi sóbrio que nem ele deve ter se reconhecido. Era como se tivesse um terceiro personagem. Havia o Wanderley, tem o Vanderlei, ontem apareceu o Wanderlei, mesclado de libertinação e projetos superfarturados.Fora de campo, a massa se acalmava. Não eram os rubro-negros, mas os banguenses vascaínos. Esses são aqueles únicos que conseguiram chegar às 17 horas para ver Bangu x Vasco, em Moça Bonita. A sacanagem mesmo foi que muitos deles, calculei uns mil vascaínos, outros curiosos, tinham ingresso e ficaram de fora das arquibancadas que viu Mauro Galvão, Macula e Marinho. Os três “emes” que embaralhados viram quase meses, dois, mais precisamente, que o Flamengo demorou para entrar definitivamente na Libertadores.Deixou chegar… Foi o que pensou um senhor, vendedor de pipocas, na porta do estádio Proletário. Ele não viu confusão, nada de latinha na cabeça de torcedor, gás de pimenta, que parou dentro do campo e fez o atacante do Bangu ter um piripaque à la dança dos famosos no centro do campo. “Cheguei só agora, não vi nada”, me disse ele. Com todo respeito, eu, que tinha saído do estádio para saber o que tinha acontecido para tanta confusão, fiquei com o salsichão na mão e uma cerveja na outra. Com muito sacrifício e suor, voltei para dentro de Moça Bonita. E assim acabou uma noite no futebol carioca.

*Fotos gentilmente cedidas por Bruno Braz.
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O futebol na ponte aérea

por Gabriel Gil*
Após três anos morando na terra da garoa, voltei de vez para a cidade maravilhosa. E se fosse para eu escrever um texto que comparasse o jeito paulista (ou paulistano para os que ficam corrigindo, mas eu não vou ficar chamando paulista de paulistano porque sou carioca e pra carioca só existe o termo paulista. Foi mal, truta) de torcer com o jeito carioca, ele seria mais ou menos assim.

Sabe como no Rio você encontra o cara na rua, dá uma zoadinha, recebe uma zoadinha, todo mundo ri e aí a vida segue? Lá em Sampa às vezes é melhor ter mais cuidado, porque (nunca achei que ia usar essa expressão que conheci em Sampa) tem uns caras da pá virada (isso significa lelé da cuca pra você que é carioca ou de outra região sã). E você nunca sabe com quem tá se metendo. Por isso a menos que você já conheça quem você quer zoar ou esteja dentro de um carro em uma rua com todos os sinais verdes, prefira ficar pianinho.

Em SP, a galera não dá bandeira. É, isso vale também pros são-paulinos. É muito muito estranho entrar no estádio e não ver uma pessoa balançando pra lá e pra cá uma bandeira na torcida. Eu sei o que você deve estar pensando, é um saco quando você tá lá na arquibancada e passa aquela porra de bandeira na tua frente e você perde um lance. Mas vai por mim, é um saco ainda maior não ver nenhuma bandeira na torcida. E tudo isso por causa da violência das organizadas há uns anos atrás. Tsc tsc tsc.

O São Paulo tem o Morumbi e pode receber os clássicos. O Vasco tem São Januário mas não pode receber. Ó vida cruel. De qualquer forma, na questão de estádios, São Paulo está bastante à frente do Rio. O panetone, digo, Morumbi, recebe os jogos muito bem, obrigado. E o Pacaembu tem uma ótima localização pra qualquer um que for assistir jogo lá, seja corinthiano, palmeirense ou santista. Infelizmente não consegui ir ao Palestra Itália antes dele ser fechado para as obras da futura Arena Itália, mas de longe sempre me pareceu um bom lugar. Também não fui à Vila Belmiro, mas enfim. Se considerarmos que no Rio temos São Januário, Maracanã e Engenhão e aí às vezes tem que levar jogo pra Volta Redonda ou Macaé, os paulistas ganham nessa. Sim, eu sei que de vez em quando tem jogo na Arena Barueri, mas é só até a arena ficar pronta. Em SP, teoricamente, os quatro grandes podem jogar no mesmo dia (Vila, Pacaembu, Morumbi, Palestra). Já no Rio…

Bares são um caso à parte. A mesma violência que rola nos estádios também pode te pegar em um dos bares, até porque sempre rolam umas concentrações especificas. E aí é um tal de xinga pra lá, xinga pra cá, e se segure pra que não chegue às vias de fato. Falando assim parece meio exagerado, mas vai por mim, nem é tanto exagero assim. Enquanto aqui no Rio você assiste o jogo ao lado do seu rival numa boa, lá as coisas podem ficar difíceis.

Os jogos que fui foram todos do Vasco, então acabei não pegando os clássicos locais. Mas quando se trata daquela rivalidade pré-jogo e das sacanagens no dia seguinte, pode crer que pelo menos nesse sentido São Paulo e o Rio de Janeiro são cidades irmãs.

*Gabriel é publicitário, vascaíno e tuíteiro: @gabrielgilfake
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Raios e trovões na Gávea

por Matheus Adami*
Entra ano, sai ano e o tempo na Gávea parece que não passou… as lembranças do passado ecoam nos corredores rubro-negros, resquícios de um tempo em que o futebol era mais romântico e passional do que cheio do profissionalismo cada vez mais presente hoje em figuras como Rodrigo Caetano e seus pares.
Falar de prognósticos rubro-negrísticos no começo de uma temporada em que a principal estrela da companhia, Ronaldinho Gaúcho, tem futuro a cada dia mais indefinido, o principal escudeiro do craque, Thiago Neves, mudou de casa na Zona Sul, e o principal defensor, Alex Silva, resolveu se rebelar, é dar um tiro no escuro. Mas, a pedido dos nobre amigos do Yougol, assumirei a identidade de Pai Adami de Ogum e farei minhas previsões.
O ano será difícil, amigo flamenguista. Difícil porque as nuvens negras que agora pairam sobre a Gávea vão tender a aumentar. Explico o porquê de tão pouco otimismo. Os rivais locais melhoraram. Contrataram bem e, como nos mostra a tabela do último Campeonato Brasileiro, vascaínos e tricolores terminaram à nossa frente com méritos. Até o Botafogo, que não assustou ano passado, acertou em cheio em trazer Andrezinho, cria dos bravos rincões da Gávea. Enquanto isso, o torcedor rubro-negro, sempre apaixonado e abnegado, vê Magal e Itamar. Só aí, digo que o começo do ano supera em tragédias 2011, quando R10 e TN7 se juntaram à Nação.
Mas, se os problemas fossem só dentro das quatro linhas, estaria ótimo. Longe daquela paz de céu de brigadeiro, é claro, mas sem tempestades nem trovoadas. A crise entre Flamengo e Traffic minou a vontade de Ronaldinho em jogar. É claro. Eu também não estaria feliz se o mês da empresa em que eu trabalho durasse 150 em vez de 30 dias. Você também. E, como em todos os anos, falta dinheiro e credibilidade para contratações. Somado a isso, teremos Patrícia Amorim em ano de campanha eleitoral. A total falta de noção da presidente (o discurso pedante de que “Flamengo é Flamengo”, embora é verdadeiro, não faz brotar dinheiro, certo?) no momento de crise, somada à ingerência demonstrada, tirou a confiança do torcedor. A ponto de o clube, em termos de bagunça, ser chamado de Palmeiras do Rio – com todo respeito aos palmeirenses, mas isso é inadmissível.
Dito isto, vamos às vacas frias. Com as atenções voltadas para a Libertadores, o Campeonato Carioca será corretamente deixado de lado. Previsão deste escriba: brita inevitável nas duas competições. Na Libertadores, infelizmente, por falta de elenco. E o Carioca… bom, já perdeu a graça para nós há muito tempo.
Fica a torcida sincera para que a diretoria abra os olhos, arregace as mangas e, principalmente, desca do salto para conseguir bons jogadores para o segundo semestre. O Campeonato Brasileiro está aí. Torcedor flamenguista é bem acostumado a gritar “é campeão” pelo menos uma vez ao ano. Se o time passar 2012 em branco, a chance de a profecia maia ocorrer na Gávea, especificamente, é real.
*Matheus é jornalista, carioca, mas paulista há um bom tempo.
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A Copa do Botafogo

por Eduardo Zobaran

O Rio nunca viveu tão intensamente uma pré-Libertadores. E quando eu digo pré-Libertadores, não digo esses joguinhos mata-mata que rolam entre o final de janeiro e o início de fevereiro para decidir os últimos integrantes da fase de grupos da Libertadores. Refiro-me ao período do esquenta, quando o repique chama a caixa, o surdo e o tamborim para o ziriguidum, quando a turma se reúne para tomar uns bons drinks antes da night, quando o casal começa… bem, você já entendeu.

E como eu ia dizendo, o Rio nunca viveu tão intensamente uma pré-Libertadores. É um tal de “bora fechar uma tripzinha prum jogo da Liberta em Buenos Aires?”. Outro tal de “pô, se passar para a segunda fase, fecho certo”. E todos esses papos dos torcedores que prometem e quase nunca cumprem viajar com seus times pela América do Sul. Afinal de contas, tirando o ex-goleiro em atividade Fábio Costa, todo mundo tem que trabalhar.

Mas é só nesse terceiro parágrafo que venho realmente introduzir minha ideia. É que enquanto os torcedores de Flamengo, Fluminense e Vasco (menos a Luiza, que está no Canadá) estão num vibe bolivariana, ouvindo Mercedes Sosa, mascando coca e discutindo Carlos Gardel, o botafoguense está tomando uma cachaça, dançando “Ai se eu te pego” e discutindo BBB num boteco sujo em que afoga suas mágoas. Passa mais uma, Manel, que hoje a prova é do líder e eu estou imune!

Nunca antes na história do Carioca alguém entrou com tanta responsabilidade de comprar aquela faixa porpurinada meia-boca de campeão e partir para o Baixo Gávea. Esse é o discurso do bullying que os botafoguenses têm enfrentado, mas precisam ficar bem atentos para não caírem na cilada. Esqueçam o Estadual, a verdadeira missão do Botafogo é a Copa do Brasil (como diz a famosa musiquinha).

Para vencê-la vai ser muito importante ter um time consistente, que saiba passar sem sustos pelos pequenos, que consiga domar os adversários fora de casa e que, no Engenhão, não deixe dúvidas sobre quem está em casa. Mais do que isso, vai precisar vencer o mais recente de seus traumas. Esqueça chororô, tri-vice e rebaixamento. O que ainda faz o torcedor do Botafogo estalar os dedos com sangue nos olhos é aquela Copa do Brasil de 99.

Maldito Juventude, lembram os botafoguenses, que mantém ainda hoje a crença de que aquele título teria feito os últimos anos do Botafogo bem menos nebulosos. Balela. É bem verdade que o Gílson Nunes não merecia a simpatia dos torcedores e que o Márcio Rezende de Freitas, sempre ele, anulou dois gols do Botafogo em Caxias do Sul (nem vou discutir se foram legais), mas o Botafogo não podia decolar com aquela escalação: Wagner, César Prates, Bandoch [“O Bandoch é mau / Pega um, pega geral / Ooooi!], Jorge Luiz e Fábio Augusto (Leandro Eugênio); Reidner, Júnior, Caio [esse] (Rodrigo) e Sérgio Manoel; Bebeto (Felipe) e Zé Carlos.

Um 0 a 0 no último jogo com mais de 100 mil torcedores na história do Maracanã – e isso ninguém mais tira – é a frustração maior de uma geração que viu alguma coisa aqui e outra acolá, mas que tem tido mais alívios do que comemorações nos últimos anos. A Copa do Brasil é um título que Flamengo, Fluminense e Vasco, os três representantes do Rio na Libertadores, já levaram para casa. Estou quase falando que é o torneio mais importante do primeiro semestre para um clube carioca… Mas só quase.

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